Entrevista – “KYOJITSU-HINIKU, Sob a Pele – Sobre a Carne do Japão”

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2 ) O ESPAÇO EXPOSITIVO

 

Há um ponto em que a obra da Juliana e a do Hashimoto compartilham o mesmo local, como foi a decisão dos dois artistas sobre o espaço das obras?

Satoshi HashimotoAo chegar no local, conforme conversávamos e conhecíamos as atividades um do outro, decidimos expor lado a lado, criando um novo espaço.

Naoko Mabon: Por acaso resultou num trabalho colaborativo.

 

Quer dizer que o espaço expositivo de cada artista não estava definido em detalhes?

Naoko Mabon: Podemos dizer que não, pois pensei que provavelmente os artistas chegariam aqui, um  espaço atípico, e seriam pegos de surpresa com um ambiente diferente do que estariam imaginando. Com isso, pensei que a melhor opção seria reunirmos todos no local para decidirmos como fazer. Acredito que este método funcionou principalmente para as obras do senhor Hashimoto, que são instalações que interagem diretamente com o ambiente.

As obras do Hashimoto se instalaram harmonicamente no espaço interno do Pavilhão Japonês mesmo ele sendo um ambiente bem singular. O espaço interno do edifício foi compartilhado por todos os artistas, mas a enorme obra do Suga está erguida na área externa. Ela já estava com a posição de instalação definida?

Takanori Suga: Desde a minha partida do Japão, fiquei pensando onde deveria instalá-la, mas havia decidido que iria encontrar e definir o seu formato físico aqui no Brasil.

 

Normalmente costumam encontrar o motivo de suas obras localmente?

Takanori Suga: Acabo encontrando sem sequer procurar. Penso que algo como o incosciente, que o ser humano esconde, acaba ficando aparente em aspectos como num rabisco de um número de telefone de alguém, coisas que são consideradas bagunçadas e que geralmente não atraem o olhar. E, às vezes, acabo me inspirando com o número “0” garranchado dessas anotações. Também recebo inspiração de marcas de respingos de tinta de serviços de pintura malfeitos. Então ando por aí olhando sempre para baixo. Acabo sendo absorvido pelas ruas de São Paulo de tantas coisas que elas têm.

Naoko Mabon: Tenho a impressão de que, na arte moderna do Japão, há poucos artistas que produzem seus trabalhos baseando-se em arte urbana.

Takanori Suga: Um dos motivos para eu ter vindo ao exterior no começo da minha carreira foi porque no Japão não existia área de atuação para mim. Eu não me considero como arte urbana, mas se podem me acolher nessa turma ficaria muito contente, também pela admiração que sinto por ela.

Naoko Mabon: Nesse sentido, fiquei muito interessada em ver como a obra do senhor Suga ia se concretizar nesta metrópole abundante em arte urbana que é São Paulo. A obra do senhor Suga possui outro sentido também, bastante técnico e com forte aspecto japonês, e acabei criando expectativas sobre como esse lado japonês da sua obra iria reagir à São Paulo. Quando encontrei o Takanori Suga pela primeira vez, ele me mostrou a foto do Dripping Project realizado em frente ao antigo Kyoto Prefectural Office Building, e me surpreendi pela sua abordagem original diante de uma construção histórica. A partir disso, começamos a pensar dentro do contexto da exposição de como iríamos utilizar o ambiente externo também.

 


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