{"id":10767,"date":"2020-05-28T04:36:21","date_gmt":"2020-05-28T07:36:21","guid":{"rendered":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/?page_id=10767"},"modified":"2020-05-28T11:53:49","modified_gmt":"2020-05-28T14:53:49","slug":"the-history-of-us-japan-relations","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/the-history-of-us-japan-relations\/","title":{"rendered":"The History of US-Japan Relations"},"content":{"rendered":"<p>Esse livro enfoca a hist\u00f3ria das intera\u00e7\u00f5es entre o Jap\u00e3o e os Estados Unidos desde a reinser\u00e7\u00e3o japonesa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internacionais, que ocorreu em meados do s\u00e9culo XIX, at\u00e9 a meados da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. Um dos interessantes aspectos presentes nessa publica\u00e7\u00e3o e a abordagem da altern\u00e2ncia dos diferentes momentos de converg\u00eancia e diverg\u00eancia de interesses, na hist\u00f3ria entre esses dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>O livro <em>The History of US-Japan Relations: From Perry to the Present<\/em> tem como base o original em japon\u00eas que foi composta de 11 cap\u00edtulos lan\u00e7ado em 2008. Contudo, a obra em ingl\u00eas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma tradu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da revis\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o dos textos para a nova edi\u00e7\u00e3o, ela traz um novo cap\u00edtulo, o d\u00e9cimo segundo, que analisa o per\u00edodo que percorre do ataque \u00e0s torres g\u00eameas nos EUA em 11 de setembro de 2001 at\u00e9 o segundo mandato do primeiro-ministro Shinzo Abe.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o em japon\u00eas teve como editor o professor Makoto Iokibe, Chanceler da Universidade de Hyogo e ex-professor de hist\u00f3ria e diplomacia da Universidade de Kobe. A vers\u00e3o em ingl\u00eas, por sua vez, publicada em 2017, teve como editor o professor Tosh Minohara, professor da Universidade de Kobe sobre as rela\u00e7\u00f5es EUA-Jap\u00e3o, e que foi respons\u00e1vel tamb\u00e9m por alguns cap\u00edtulos da vers\u00e3o em japon\u00eas. Al\u00e9m deles, h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de outros professores que totalizam dezoito autores.<\/p>\n<p>Essa grande quantidade pode impressionar, mas o leitor mais acostumado em acompanhar as discuss\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es entre os EUA e o Jap\u00e3o e, particularmente, as rela\u00e7\u00f5es internacionais do Jap\u00e3o, j\u00e1 deve ter se deparado com outros textos dos autores presentes nesse livro. Pois, al\u00e9m dos editores, os demais professores tamb\u00e9m t\u00eam v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es, inclusive em ingl\u00eas. Mas, aos que est\u00e3o ingressando nesse campo de estudo e outros interessados, n\u00e3o familiarizados com os nomes, informa-se que eles s\u00e3o professores e pesquisadores especializados na pol\u00edtica e na diplomacia tanto dos EUA como do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O livro est\u00e1 organizado, com exce\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos que t\u00eam uma abordagem mais tem\u00e1tica, em cap\u00edtulos delimitados por d\u00e9cadas, permitindo ao leitor construir sua pr\u00f3pria compreens\u00e3o cronol\u00f3gica da evolu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es nipo-americanas. O livro est\u00e1 dividido tamb\u00e9m em duas partes, a primeira referente ao per\u00edodo que abrange o reestabelecimento das rela\u00e7\u00f5es internacionais do Jap\u00e3o, ocorrida em meados do s\u00e9culo XIX, at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n<p>A segunda parte do livro analisa o per\u00edodo que vai do afastamento que vai ocorrer entre os EUA e o Jap\u00e3o na Segunda Guerra Mundial at\u00e9 o come\u00e7o do s\u00e9culo XXI, quando T\u00f3quio apresenta novas iniciativas o fortalecimento das suas rela\u00e7\u00f5es com os Washington. Entre essas a\u00e7\u00f5es promovidas pelo primeiro-ministro Abe, s\u00e3o citadas, por exemplo, a busca por aumento da capacidade de defesa do Jap\u00e3o, o estabelecimento do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a e a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios para exporta\u00e7\u00f5es de armamentos (p.253).<\/p>\n<p>Iniciando a primeira parte dessa obra, no Cap\u00edtulo 1, <em>\u201cAmerica Enconters Japan (1836-94)\u201d<\/em>, apresenta-se um dos eventos mais citados do in\u00edcio do relacionamento bilateral nipo-americano, que \u00e9 a abertura dos portos japoneses por imposi\u00e7\u00e3o do Comodoro Matthew C. Perry em 1853. Esse come\u00e7o do relacionamento \u00e9 relatado trazendo detalhes de como, por exemplo, as amea\u00e7as de ataque feitas pelo Comodoro contrariavam as ordens de n\u00e3o agress\u00e3o ao Jap\u00e3o dadas, tanto do presidente dos EUA, MiIllard Fillmore, que o nomeou comandante da esquadra do Leste asi\u00e1tico em 1852, como de Franklin Pierce, que era o presidente dos Estados Unidos, quando, em 1954, foi assinado o Acordo de Kanagawa estabelecendo o in\u00edcio das rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses. Nesse primeiro cap\u00edtulo, escrito por Tosh Minohara e Kaoru Iokibe, entre os temas abordados est\u00e3o tamb\u00e9m os acordos estabelecidos pelo Jap\u00e3o com outras pot\u00eancias ocidentais, que \u00e0 \u00e9poca ficaram marcados por serem desfavor\u00e1veis ao Jap\u00e3o, e a guerra sino-japonesa.<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo 2, <em>\u201cThe emergence of Japan on the Global Stage (1895-1908)<\/em>\u201d, escrito por Yasutoshi Teramoto e Tosh Minohara, analisa o per\u00edodo em que o Jap\u00e3o emerge ao mundo como pot\u00eancia ap\u00f3s suas vit\u00f3rias sobre a China (1895) e sobre a R\u00fassia (1905). No cap\u00edtulo anterior relatou-se que os acordos estabelecidos privilegiavam os pa\u00edses ocidentais, mas com essas realiza\u00e7\u00f5es colocaram o Jap\u00e3o em um novo e elevado patamar nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Um exemplo \u00e9 a solicita\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica para que o Jap\u00e3o enviasse tropas para a \u00c1frica do Sul, com a finalidade de ajud\u00e1-la a conter uma revolta naquele pa\u00eds. Essa a\u00e7\u00e3o levou o Jap\u00e3o a ser reconhecido como a \u201cpol\u00edcia militar do extremo oriente\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o nipo-americana, os autores apontam que pa\u00edses passaram a ter sobreposi\u00e7\u00f5es de interesses na \u00c1sia. O exemplo citado ocorre em 1899, quando o governo japon\u00eas tentou fornecer armamentos e muni\u00e7\u00f5es para o movimento de independ\u00eancia das Filipinas, que, a \u00e9poca, estava sob o dom\u00ednio dos EUA ap\u00f3s sua vit\u00f3ria na guerra contra a Espanha em 1898. Destaca-se que h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e que o Jap\u00e3o busca, naquele per\u00edodo, o reconhecimento internacional de sua ascens\u00e3o, por exemplo, por meio do fortalecimento do seu poderia militar na Manch\u00faria e de uma diplomacia pragm\u00e1tica.<\/p>\n<p>De fato, no per\u00edodo do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, as economias dos EUA e do Jap\u00e3o foram impulsionadas, fazendo com que ambas emergissem como novas pot\u00eancias internacionais. Com isso, interesses japoneses e norte-americanos na \u00c1sia come\u00e7am a se sobrepor e se tornar concorrentes, conforme \u00e9 apontado no Cap\u00edtulo 3, <em>\u201cThe Great War and Shifting Relations, 1909-1919\u201d<\/em>. Essa realidade contribuiu para o recrudescimento de temores e discursos raciais contra o Jap\u00e3o nos EUA. Os autores, Tosh Minohara, Shusuke Takahara e Ryouta Murai, apontam que na campanha das elei\u00e7\u00f5es de 1910 os pol\u00edticos democratas utilizavam como slogan a frase \u201c<em>Keep Califonia White<\/em>\u201d (mantenha a California Branca \u2013 tradu\u00e7\u00e3o do autor), acusando os republicanos de serem tolerantes em rela\u00e7\u00e3o aos japoneses (p.47). Nesse cap\u00edtulo, ilustra-se tamb\u00e9m que apesar de serem aliados na Primeira Guerra Mundial, j\u00e1 havia diverg\u00eancias entre esses dois pa\u00edses em rela\u00e7\u00e3o as pol\u00edticas de ambos na \u00c1sia nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>No Cap\u00edtulo 4, <em>\u201cThe 1920s: The Washington Treaty System and the Immigration Issue\u201d<\/em>, Ryuji Hattori e Tosh Minohara relatam que o primeiro-ministro Takashi Hara ao assumir o governo do Jap\u00e3o em 1918, implementou uma pol\u00edtica de coopera\u00e7\u00e3o tanto com os EUA como com Reino Unido, tendo como iniciativa concreta o estabelecimento do Cons\u00f3rcio do Novo Banco dos Quatro Poderes (EUA, Fran\u00e7a, Jap\u00e3o e Reino Unido) para investimentos conjuntos na China, buscando uma aproxima\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses ocidentais. No entanto, com o final da Primeira Guerra Mundial os movimentos antijaponeses reascenderam nos EUA, surgiram reivindica\u00e7\u00f5es contra os agricultores imigrantes japoneses para restringir suas atividades. E os alguns pol\u00edticos norte-americanos, passaram a colocar essas demandas em suas campanhas nas elei\u00e7\u00f5es de 1920. Nessa d\u00e9cada, tamb\u00e9m vem \u00e0 tona as diverg\u00eancias entre as pol\u00edticas dos EUA e do Jap\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China, conduzindo ao distanciamento entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Finalizando a primeira parte do livro, no Cap\u00edtulo 5, <em>\u201cThe 1930s: Japan\u2019s War with China and American non-recognition\u201d<\/em>, Fumiaki Kubo, Ryuji Hattori e Satshi Hattori apresentam o acirramento das diverg\u00eancias nipo-americanas. O Jap\u00e3o se retira da liga das Na\u00e7\u00f5es em mar\u00e7o 1933 e os EUA, em resposta, demanda retalia\u00e7\u00f5es contra o Jap\u00e3o pelo \u201cComit\u00ea Consultivo do Extremo Oriente\u201d. O presidente Franklin Roosevelt afirmou ter profunda simpatia pela China, j\u00e1 no in\u00edcio do seu mandato, e adotou uma postura cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares do Jap\u00e3o. Em 1939, no entanto, os autores apontam que a principal preocupa\u00e7\u00e3o do presidente norte-americano passou a ser a guerra contra a Alemanha na Europa e n\u00e3o as a\u00e7\u00f5es japonesas na \u00c1sia. E, apesar das advert\u00eancias ao presidente Roosevelt de que a decis\u00e3o de n\u00e3o renovar o Acordo de Com\u00e9rcio e Navega\u00e7\u00e3o com o Jap\u00e3o levaria esse pais a se aproximar da Alemanha, o Secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Cordell Hull, notificou a T\u00f3quio em julho de 1939 que o acordo bilateral terminaria. O resultado \u00e9 que em setembro de 1940, o Jap\u00e3o estabelece o Pacto Tripartite com a Alemanha e a Italia, colocando-o agora na Segunda Guerra Mundial em campo oposto ao do ex-aliado, EUA.<\/p>\n<p>A segunda parte do livro come\u00e7a no Cap\u00edtulo 6, <em>\u201cThe Pacific War and the Ocupation of Japan, 1941-52<\/em>\u201d, com o epis\u00f3dio do ataque japon\u00eas a Pearl Harbor em 1941. Analisando esse conflito, os autores Futoshi Shibayama e Ayako Kusunoki reconhecem vantagens preliminares no conflito tanto para a Alemanha na Europa, como para o Jap\u00e3o na \u00c1sia. Aos EUA, apontam os autores, cabia a tarefa de defender seus aliados para que n\u00e3o fossem derrotados. No entanto, em 1942 o cen\u00e1rio da II Guerra Mundial come\u00e7a a sofrer altera\u00e7\u00f5es, pois as for\u00e7as aliadas registram resultados positivos. No <em>front<\/em> europeu as for\u00e7as alem\u00e3s tiveram de se dividir em duas frentes para combater a R\u00fassia do lado oriental e os aliados do lado ocidental e, na \u00c1sia, a capital do Jap\u00e3o, T\u00f3quio, fora bombardeada pelos avi\u00f5es norte-americanos.<\/p>\n<p>Apesar das primeiras p\u00e1ginas desse cap\u00edtulo chamarem muito a aten\u00e7\u00e3o do leitor, o ponto principal a ser acompanhado \u00e9 o das rela\u00e7\u00f5es nipo-americanas ap\u00f3s o final do conflito. \u00c9 nessa parte do livro que se discute a ocupa\u00e7\u00e3o americana e as transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e de gest\u00e3o, que ocorreram no Jap\u00e3o, incluso o processo de desmilitariza\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. E o cap\u00edtulo conclui com um importante epis\u00f3dio para a hist\u00f3ria da diplomacia japonesa que \u00e9 a reuni\u00e3o de S\u00e3o Francisco em 1951, no qual foi assinado o Tratado que restituiu a soberania ao governo de T\u00f3quio e o Tratado de M\u00fatua Seguran\u00e7a EUA-Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o, depois de derrotado e ocupado pelas for\u00e7as americanas, se encontrava economicamente bastante enfraquecido. No Cap\u00edtulo 7, <em>\u201cThe 1950s: The Pax Americana and Japan\u2019s Postwar Ressurgence\u201d<\/em>, os professores Takuya Sassaki e Hiroshi Nakanishi assinalam que no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950 a economia japonesa era cerca de onze vezes menor que a americana. No entanto, o Jap\u00e3o, paralelamente a Alemanha, tem sua rela\u00e7\u00e3o com os EUA e sua posi\u00e7\u00e3o internacional renovada pela aprova\u00e7\u00e3o do NSC135\/1, que os transportaram da situa\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00f5es derrotadas na Segunda Guerra Mundial para a de atores estrat\u00e9gicos para um mundo livre no ocidente e no Pac\u00edfico (p.128).<\/p>\n<p>Nesse cap\u00edtulo discute-se ainda a renova\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre o Jap\u00e3o e os EUA na segunda metade do s\u00e9culo XX. Agora, em no ambiente da Guerra Fria e novamente como aliados, o governo de Washington pressiona o governo de T\u00f3quio para reassumir maior participa\u00e7\u00e3o internacional. As discuss\u00f5es sobre um crescimento do papel nip\u00f4nico nesse novo contexto s\u00e3o negociadas n\u00e3o s\u00f3 entre dos dois pa\u00edses, mas tamb\u00e9m internamente entre os pol\u00edticos japoneses e, nem sempre, as posi\u00e7\u00f5es internas e externas convergiram.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f4mico no p\u00f3s Segunda Guerra causa admira\u00e7\u00e3o do mundo e \u00e9 um dos temas tratados no Cap\u00edtulo 8, \u201c<em>The 1960s: Japan\u2019s Economic Rise and the Maturing of the Partnership<\/em>\u201d. De acordo com Makoto Iokibe e Takuya Sassaki, o Jap\u00e3o alcan\u00e7ou o primeiro super\u00e1vit comercial com os EUA em 1965 e a economia japonesa alcan\u00e7ava a terceira posi\u00e7\u00e3o entre as maiores do mundo tr\u00eas anos depois. Outro fato positivo ao pa\u00eds foi a negocia\u00e7\u00e3o entre o primeiro-ministro Eisaku Sato e o presidente Richard Nixon dos EUA, que chegou a uma posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio de Okinawa ao Jap\u00e3o. No entanto, com a revitaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Jap\u00e3o, surgem novos atritos, agora no campo do com\u00e9rcio exterior. Resultando, com isso, na posi\u00e7\u00e3o do presidente Nixon de condicionar a devolu\u00e7\u00e3o da ilha a realiza\u00e7\u00e3o de uma restri\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria das exporta\u00e7\u00f5es de produtos t\u00eaxteis japoneses ao mercado norte-americano.<\/p>\n<p>Outra informa\u00e7\u00e3o que chama aten\u00e7\u00e3o nesse cap\u00edtulo \u00e9 a discuss\u00e3o, em 1964, sobre a possibilidade de o Jap\u00e3o armar-se com artefatos nucleares para fazer frente ao desenvolvimento nuclear da China, realizada entre o primeiro-ministro Sato e o ent\u00e3o Embaixador norte-americano em T\u00f3quio, Edwin Reischauer. Havia de fato preocupa\u00e7\u00f5es dos EUA em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ascens\u00e3o chinesa a condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia nuclear, no entanto, o Presidente Lyndon Johnson, preferiu manter a pol\u00edtica de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o nuclear e ratificar o compromisso americano pela defesa do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Comparando-se as d\u00e9cadas de 1960 e 1970, pode-se dizer que as condi\u00e7\u00f5es gerais da primeira foram mais favor\u00e1veis ao Jap\u00e3o. Por exemplo, al\u00e9m do crescimento econ\u00f4mico conquistado, foram realizadas as Olimp\u00edadas de T\u00f3quio em 1964 causando admira\u00e7\u00e3o internacional pelas inova\u00e7\u00f5es e tecnologias apresentadas. Todavia, Yoshide Soeya Robert Eldridge apontam no Cap\u00edtulo 9, \u201c<em>The 1970s: Stress on the Relationship<\/em>\u201d, que a d\u00e9cada de 1970 foi marcada por mais dificuldades, tanto no \u00e2mbito econ\u00f4mico como no pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es com os EUA o Jap\u00e3o passou a ser acusado de ser um carona ao se beneficiar economicamente sem ter gastos na \u00e1rea da seguran\u00e7a. As tens\u00f5es econ\u00f4micas tamb\u00e9m eram evidentes, havia desde o final dos anos 1960 crescente insatisfa\u00e7\u00e3o americana com o d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial com o Jap\u00e3o, destacando-se o da \u00e1rea t\u00eaxtil, ao ponto de produzir medidas restritivas de exporta\u00e7\u00f5es de soja pelos EUA ao mercado japon\u00eas. Al\u00e9m dessa tens\u00e3o comercial, outro problema importante para a economia japonesa nessa d\u00e9cada, foram os dois choques de eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, motivadas por tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito pol\u00edtico o Jap\u00e3o, em 1972, assistiu uma reaproxima\u00e7\u00e3o EUA-China e, com isso, o primeiro-ministro Kakuei Tanaka tamb\u00e9m foi buscar a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sino-japonesas. Em parte dessa d\u00e9cada, com a presen\u00e7a do presidente Nixon no governo de Washington, as rela\u00e7\u00f5es bilaterais n\u00e3o foram muito amistosas, mas a chegado do Presidente Jimmy Carter muda o cen\u00e1rio e as rela\u00e7\u00f5es retomam o caminho para normaliza\u00e7\u00e3o e h\u00e1 o reconhecimento do Jap\u00e3o como importante aliado na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Ao final da d\u00e9cada de 1970, o Jap\u00e3o demonstrava ter conseguido enfrentar bem os seus desafios, pois o pa\u00eds se destacava como uma economia vigorosa e inovadora, tendo como destaques os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos (p.189). Com essas conquistas, inicia a d\u00e9cada de 1980 de maneira mais proativa, o que fez com que os EUA valorizassem mais o relacionamento bilateral.<\/p>\n<p>Esse processo de revitaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es nipo-americanas vai ganhar mais for\u00e7a no Cap\u00edtulo 10, <em>\u201cThe 1980s: The Decade of Neoliberalism\u201d<\/em>, no qual Akihiko Tanaka e Masayuki Todokoro come\u00e7am analisando as intera\u00e7\u00f5es entre os governos do presidente Ronald Regan, que assume o governo em 1981, seu interlocutor japon\u00eas a partir de 1982, o primeiro-ministro Yasuhiro Naksone. Entre as raz\u00f5es que contribu\u00edram para essa aproxima\u00e7\u00e3o est\u00e1 a escalada das tens\u00f5es entre os EUA e a ex-URSS, a qual levaria o governo norte-americano a pressionar o Jap\u00e3o para ter uma maior contribui\u00e7\u00e3o para si e para defesa a m\u00fatua (p.194).<\/p>\n<p>Inicialmente o presidente Reagan n\u00e3o obteve sucesso nas suas demandas com o primeiro-ministro Zenko Suzuki, que n\u00e3o demonstrou rapidez em responder as demandas. Contudo, o primeiro-ministro Nakasone se mostrou favor\u00e1vel a amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos japoneses em defesa. Um exemplo mencionado no texto \u00e9 o da discuss\u00e3o de or\u00e7amento para defesa em 1982, pois enquanto o ministro das finan\u00e7as propunha um aumento de 5,1%, o primeiro-ministro Nakasone defendeu um incremento de 6,5% (p.197). De fato, ele procurou promover um aprofundamento da coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da seguran\u00e7a internacional com Washington (p.199) e, ao longo do seu mandato, tentou eliminar o teto de 1% do PIB para gastos em defesa, mas as resist\u00eancias na Dieta que enfrentou eram fortes.<\/p>\n<p>Na segunda metade dos anos 1980, atritos econ\u00f4micos conduziram o relacionamento nipo-americano a novos momentos tensos. E, um epis\u00f3dio importante abordado no cap\u00edtulo foi o acordo de Plaza, em que para ajudar a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es norte-americanas, em outubro de 1985, os pa\u00edses membros do G-5 concordaram em valorizar suas moedas nacionais entre 10 a 12% o d\u00f3lar dos EUA.<\/p>\n<p>No Cap\u00edtulo 11, <em>\u201cThe 1990s: From a Drifting Relationship to a Redefinition of the Alliance\u201d<\/em>, Koji Murata assinala que o final da Guerra Fria marcada pela queda do muro de Berlim em 1989, teve uma triste coincid\u00eancia, que foi a morte do imperador a japon\u00eas Hirohito, findando a era Showa, e dando in\u00edcio a era Heisei com o Imperador Akihito.<\/p>\n<p>Ao final da d\u00e9cada de 1980, os temores dos americanos passaram por transforma\u00e7\u00f5es, pois a ex-URSS j\u00e1 n\u00e3o era mais percebida como a amea\u00e7a aos EUA, pois identificava-se a vit\u00f3ria dos EUA sobre a ex-URSS na disputa que havia se acirrado no in\u00edcio da d\u00e9cada com o Presidente Reagan. As preocupa\u00e7\u00f5es passaram a ser projetados sobre a concorr\u00eancia contra o Jap\u00e3o. No \u00e2mbito da pol\u00edtica externa, cr\u00edticas que j\u00e1 vinham sendo manifestadas pelos interlocutores internacionais contra o Jap\u00e3o desde a d\u00e9cada de 1970, por considerarem o pa\u00eds como um carona, se amplificaram com o final da Guerra Fria. Em resposta a essas press\u00f5es algumas decis\u00f5es foram adotadas pelo governo japon\u00eas na gest\u00e3o do primeiro-ministro de Kiichi Miyazawa, entre elas a promo\u00e7\u00e3o do Ato para Coopera\u00e7\u00e3o para Na\u00e7\u00f5es Unidas em Opera\u00e7\u00f5es de Manuten\u00e7\u00e3o de Paz (Peace Keeping Operations) em 1992, pelo qual se permitiu \u00e0s For\u00e7as de Auto Defesa do Jap\u00e3o participar de a\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Essa aproxima\u00e7\u00e3o Jap\u00e3o-EUA, entretanto, passou a enfrentar dificuldades a partir de 1993, ano em que o Partido Liberal Democr\u00e1tico (PLD) perdeu a maioria na C\u00e2mara Baixa, pela primeira vez desde 1955, e, com isso, a oposi\u00e7\u00e3o ascende ao cargo de primeiro-ministro com Morihiro Hosokawa, num ambiente de sentimento antiamericano no pa\u00eds. A predomin\u00e2ncia, entretanto, \u00e9 retomado j\u00e1 em 1996 com a elei\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto membro do PLD.<\/p>\n<p>O livro termina com o texto in\u00e9dito do Cap\u00edtulo 12, \u201cUS-Japan leadership in the Post-9\/11 World\u201d, escrito por Makoto Iokibe e Fumiaki Kobe que apontam o aumento das preocupa\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses com a seguran\u00e7a, decorrente do atentado sofrido pelos EUA no 11 de setembro de 2001, no qual se registrou quase tr\u00eas mil v\u00edtimas. As rela\u00e7\u00f5es nipo-americanas tamb\u00e9m tiveram um per\u00edodo de aproxima\u00e7\u00e3o motivadas pelas preocupa\u00e7\u00f5es comuns sobre a seguran\u00e7a ao longo dos mandatos do presidente George Busch e do primeiro-ministro Junichiro Koizumi.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo avan\u00e7a at\u00e9 o per\u00edodo do segundo mandato do primeiro-ministro Shinzo Abe, apontando, mais uma vez, iniciativas do governo japon\u00eas em busca do fortalecimento do relacionamento com os EUA. E tamb\u00e9m desenvolvem dois temas que norteiam esse \u00faltimo texto, o da seguran\u00e7a, j\u00e1 mencionado anteriormente, e o dos desafios que o crescimento econ\u00f4mico chin\u00eas imp\u00f5e a ambos, ou seja, tanto para os EUA como para o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Como pode-se perceber ao longo desta resenha, o livro faz uma abordagem bastante ampla do hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es entre o Jap\u00e3o e os EUA, demonstrando que os interesses dos dois pa\u00edses nem sempre foram convergentes. V\u00e1rios fatores contribu\u00edram para diverg\u00eancias e, \u00e0s vezes, resultando em disputas entre esses dois importantes atores das rela\u00e7\u00f5es internacionais contempor\u00e2neas. Por\u00e9m, pode-se deduzir que a parceria bilateral dever\u00e1 permanecer durante os pr\u00f3ximos anos, pois na \u00e1rea de defesa a rela\u00e7\u00e3o com os EUA \u00e9 fundamental para o Jap\u00e3o. Uma das raz\u00f5es apresentadas neste \u00faltimo cap\u00edtulo \u00e9 que apesar da China ser a segunda maior economia mundial, ainda dever\u00e1 ainda demorar algumas d\u00e9cadas para ela alcan\u00e7ar o patamar militar dos EUA.<\/p>\n<p>Enfim, nota-se que h\u00e1 uma grande riqueza de abordagem e informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o trazidas no livro <strong>The History of US-Japan Relations<\/strong>: From Perry to the Present, por isso, recomendado para todos que queiram ter uma ampla vis\u00e3o do relacionamento entre esses dois pa\u00edses. Acrescenta-se que a import\u00e2ncia desse relacionamento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 bilateral, mas global, uma vez que envolve a primeira e a terceira maior economia mundial, respectivamente, EUA e Jap\u00e3o, que neste momento, tem necessariamente que dialogar e negociar com a China, que \u00e9 a segunda maior economia do mundo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os interesses desses atores se sobrep\u00f5em, n\u00e3o s\u00f3 em termos econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico-estrat\u00e9gicos, incluindo o fato de que o trio tem importes interesses localizados no continente asi\u00e1tico, onde concentra-se o maior n\u00famero de pa\u00edses com altos \u00edndices de crescimento econ\u00f4mico. Portanto, ainda que intensidades vari\u00e1veis, os resultados das intera\u00e7\u00f5es entre esses pa\u00edses repercutem sobre todos os pa\u00edses, o que torna a leitura desse livro ainda mais recomend\u00e1vel.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse livro enfoca a hist\u00f3ria das intera\u00e7\u00f5es entre o Jap\u00e3o e os Estados Unidos desde a reinser\u00e7\u00e3o japonesa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internacionais, que ocorreu em meados do s\u00e9culo XIX, at\u00e9 a meados da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. 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