{"id":14003,"date":"2020-12-18T09:00:31","date_gmt":"2020-12-18T12:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/?page_id=14003"},"modified":"2020-12-17T16:33:02","modified_gmt":"2020-12-17T19:33:02","slug":"dossie_mukashi_banashi_1_mukashi_banashi","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi_1_mukashi_banashi\/","title":{"rendered":"1. Os Mukashi banashi (contos antigos) da literatura japonesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literario\/\">Dossi\u00ea Liter\u00e1rio<\/a> &gt; <a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi\/\">Dossi\u00ea <em>Mukashi banashi<\/em><\/a> &gt; 1. Os <em>Mukashi banashi<\/em> (contos antigos) da literatura japonesa<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive alignnone wp-image-11642 size-full\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png\" alt=\"\" width=\"4032\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png 4032w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-280x15.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-768x42.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-340x19.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-220x12.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-100x6.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-130x7.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-460x25.png 460w\" sizes=\"(max-width: 4032px) 100vw, 4032px\" \/><\/p>\n<h3><span style=\"color: #64a1de\"><strong><em>Mukashi banashi<\/em>. O que s\u00e3o?<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mukashi banashi<\/em>. Express\u00e3o que, para muitos descendentes de japoneses, consiste em algo muito familiar, desde a mais tenra inf\u00e2ncia. Seu significado, \u201ccontos antigos\u201d (se a traduzirmos literalmente: <em>mukashi<\/em> = antigo, <em>hanashi<\/em> = conto, narrativa), remete a algo simples mas, em termos liter\u00e1rios, bastante amplo.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que os <em>mukashi banashi <\/em>japoneses consistem em uma forma liter\u00e1ria que, comparada \u00e0 literatura ocidental compreende, em \u00e2mbito geral, contos de car\u00e1ter maravilhoso, bem como aqueles que se aproximam das f\u00e1bulas, mitos e lendas. Considerando, assim, esses <em>mukashi banashi<\/em> como narrativas cuja origem se perde no tempo, \u00e9 poss\u00edvel dizer que, de maneira semelhante \u00e0 maioria dos povos, tais contos faziam parte de um acervo narrativo destinado a adultos; entretanto, com a tradi\u00e7\u00e3o oral e o decorrer das gera\u00e7\u00f5es, sofreram modifica\u00e7\u00f5es em sua estrutura, fato que veio acarretar, em diversos deles, um direcionamento para o campo infantil.<\/p>\n<p>O surgimento dos <em>mukashi banashi<\/em> ocorreu em uma fase anterior aos <span class='tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips34'>registros escritos<\/span>, em um per\u00edodo em que dominava uma cultura de <span class='tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips37'>car\u00e1ter animista<\/span>. O Xinto\u00edsmo, nome dado \u00e0s cren\u00e7as e pr\u00e1ticas religiosas aut\u00f3ctones do Jap\u00e3o anterior ao Budismo (que foi introduzido no Jap\u00e3o no s\u00e9culo VI d.C.), apresenta tal caracter\u00edstica. A palavra <em>shint\u00f4<\/em> significa, literalmente, \u201co caminho do <em><span class='tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips76'>kami<\/span><\/em>\u201d e, at\u00e9 os dias de hoje, o Xinto\u00edsmo permanece intrinsecamente ligado ao sistema de valores japon\u00eas e aos modos de agir e pensar de seu povo.<\/p>\n<p>Considerando-se os contos maravilhosos ocidentais, sua origem n\u00e3o foi muito diferente: tomemos como exemplo os Irm\u00e3os Grimm que, no s\u00e9culo XIX, coletaram narrativas em meio \u00e0s popula\u00e7\u00f5es camponesas, frutos de uma tradi\u00e7\u00e3o oral. Em sua origem, todas essas hist\u00f3rias faziam parte de um acervo narrativo oral adulto. Ap\u00f3s a sua compila\u00e7\u00e3o, foram sendo transmitidos atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es, at\u00e9 chegarem ao campo liter\u00e1rio infantil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_14156\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14156\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-14156\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-scaled.jpg 2560w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-280x221.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-768x607.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-1536x1213.jpg 1536w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-2048x1618.jpg 2048w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-340x269.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-220x174.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-100x79.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-130x103.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-8-kintaro-460x363.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><p id=\"caption-attachment-14156\" class=\"wp-caption-text\">Otogibanashi. Kintaro. Isuke Miyata (Ed.), 1881. Fonte: <a href=\"https:\/\/dl.ndl.go.jp\/info:ndljp\/pid\/1168001\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">National Diet Library Japan<\/a><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Normalmente os contos ocidentais encontram-se classificados segundo terminologias bastante difundidas, e cujas defini\u00e7\u00f5es apresentam pontos de semelhan\u00e7a entre si:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><span style=\"color: #64a1de\">Mito<\/span><\/h4>\n<p>O tema central dos mitos \u00e9 a renova\u00e7\u00e3o da vida e o restabelecimento da ordem que triunfa sobre o caos \u2013 ou seja, a luta entre o Bem e o Mal. Trata-se de uma experi\u00eancia religiosa, que acaba se configurando em uma experi\u00eancia cultural, visto que todas as civiliza\u00e7\u00f5es t\u00eam um mito de cria\u00e7\u00e3o que justifica sua presen\u00e7a no mundo. No caso do Jap\u00e3o, temos o mito de Izanami e Izanagi, o casal primordial que gerou v\u00e1rias divindades; a deusa do sol, Amaterasu, genitora de todos os imperadores, nasceu atrav\u00e9s de Izanagi;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><span style=\"color: #64a1de\">Lenda<\/span><\/h4>\n<p>Apresenta aspectos similares ao mito, contendo no entanto relatos de acontecimentos onde o maravilhoso e o imagin\u00e1rio superam o hist\u00f3rico. \u00c9 transmitida e preservada pela tradi\u00e7\u00e3o oral, e liga-se a certo espa\u00e7o geogr\u00e1fico e a determinado tempo. <em>Urashima Tar\u00f4<\/em> \u00e9 tido como o <em>mukashi banashi <\/em>mais antigo da tradi\u00e7\u00e3o japonesa, sendo que sua primeira vers\u00e3o surgiu na colet\u00e2nea <em>Fudoki<\/em>, do s\u00e9culo VIII (Per\u00edodo Nara, 713 d.C.); \u00e9 classificado como lenda, pois foi uma narrativa registrada na prov\u00edncia de Tango (antigo nome da regi\u00e3o de Kyoto);<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><span style=\"color: #64a1de\">Conto maravilhoso<\/span><\/h4>\n<p>Narrativas de acontecimentos ou aventuras que se passam no mundo m\u00e1gico ou maravilhoso (espa\u00e7o fora da realidade comum em que vivemos). \u00a0\u201c(&#8230;) a a\u00e7\u00e3o no conto localiza-se sempre num \u2018pa\u00eds distante, longe, muito longe daqui\u2019, passa-se \u2018h\u00e1 muito, muito tempo\u2019, ou ent\u00e3o o lugar \u00e9 em toda e nenhuma parte, a \u00e9poca sempre e nunca. Quando o conto adquire os tra\u00e7os de Hist\u00f3ria, perde sua for\u00e7a \u2013 o mesmo ocorre com as personagens\u201d (in: JOLLES, Andr\u00e9. <em>Formas Simples<\/em>, p.202).<\/p>\n<p>Temos ainda os <strong>contos de fadas<\/strong>, que s\u00e3o uma \u201c(&#8230;) variedade do conto maravilhoso, permeado de acontecimentos sobrenaturais que, no entanto, n\u00e3o causam surpresa ao leitor como, por exemplo, o fato de atribuir aos animais a faculdade da fala e de a\u00e7\u00f5es estritamente humanas.\u201d (in: TODOROV, Tzvetan. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Literatura Fant\u00e1stica<\/em>.). Nesse caso, cria-se uma verossimilhan\u00e7a interna: por mais irreais que pare\u00e7am os eventos, eles possuem uma l\u00f3gica dentro do enredo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi\/\" rel=\"noopener noreferrer\">&lt;&lt; Dossi\u00ea Mukashi banashi<\/a>\u00a0\/\/ <a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi_2_mukashibanashi_contosocidentais\/\"> 2. Semelhan\u00e7as entre os <em>mukashi banashi<\/em> e os contos ocidentais &gt;&gt;<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<script type=\"text\/javascript\"> toolTips('.classtoolTips34','A primeira obra escrita da literatura japonesa \u00e9 o <em>Kojiki <\/em>(\u201cRegistro de Fatos Antigos\u201d), comp\u00eandio de mitos datado do ano 712 d.C.'); <\/script><script type=\"text\/javascript\"> toolTips('.classtoolTips37','Pensamento segundo o qual seres inanimados e elementos da natureza s\u00e3o dotados de vida.'); <\/script><script type=\"text\/javascript\"> toolTips('.classtoolTips76','A palavra <em><span class='tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips76'>kami<\/span><\/em> significa \u201cm\u00edstico\u201d, \u201csuperior\u201d, \u201cdivino\u201d, estando normalmente ligada ao poder sagrado ou divino.'); <\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea Liter\u00e1rio &gt; Dossi\u00ea Mukashi banashi &gt; 1. 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