{"id":14025,"date":"2020-12-18T09:00:37","date_gmt":"2020-12-18T12:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/?page_id=14025"},"modified":"2020-12-17T16:33:31","modified_gmt":"2020-12-17T19:33:31","slug":"dossie_mukashi_banashi_4_final_infeliz","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi_4_final_infeliz\/","title":{"rendered":"4. Um final infeliz \uff1f"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literario\/\">Dossi\u00ea Liter\u00e1rio<\/a> &gt; <a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi\/\">Dossi\u00ea <em>Mukashi banashi<\/em><\/a> &gt; 4. Um final infeliz?<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive alignnone wp-image-11642 size-full\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png\" alt=\"\" width=\"4032\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png 4032w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-280x15.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-768x42.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-340x19.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-220x12.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-100x6.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-130x7.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-460x25.png 460w\" sizes=\"(max-width: 4032px) 100vw, 4032px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No que se refere ao final da narrativa, frustrante para muitos, \u00e9 importante considerar que estamos aqui diante de uma quest\u00e3o cultural. Isso se refere tamb\u00e9m \u00e0 quest\u00e3o do manique\u00edsmo das personagens. J\u00e1 nos referimos anteriormente \u00e0 impossibilidade de se erradicar o Mal; no pensamento oriental, essa ideia est\u00e1 relacionada \u00e0 filosofia do Yin-Yang:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 240px\">(&#8230;) Yin e Yang s\u00e3o dois opostos que, juntos, formam uma unidade. Um depende do outro e s\u00e3o realidade somente em uni\u00e3o com seu p\u00f3lo oposto. O s\u00edmbolo que conhecemos de Yin e Yang representa a lei universal da eterna transforma\u00e7\u00e3o. Significa que um deles, quando chega ao seu apogeu, transforma-se no outro.(&#8230;) Isso sugere, portanto, que n\u00e3o h\u00e1 nada que seja apenas Yin ou Yang, negro ou branco, feminino ou masculino, magn\u00e9tico ou el\u00e9trico, passivo ou ativo, bom ou mau, escuro ou claro. Significa que as mulheres tamb\u00e9m t\u00eam caracter\u00edsticas masculinas e os homens, qualidades femininas, que uma maldade pode ter algo de bom e um ato de bondade pode transformar-se em seu oposto.(&#8230;)<br \/>\nA cultura ocidental tende, ao contr\u00e1rio, a pensar em conceitos absolutos. Nossa educa\u00e7\u00e3o nos ensina a diferenciar claramente entre o bem e o mal.(&#8230;) O s\u00edmbolo de Yin e Yang descreve outra vis\u00e3o da realidade: nem Yin nem Yang podem ser considerados maus ou bons.(&#8230;) Expressa que os opostos se atraem, que se condicionam mutuamente, e que cada coisa e cada processo se converte cedo ou tarde em seu contr\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 240px\"><strong>(in ECKERT, Achim. <em>O Tao da Cura<\/em>, p.16-17)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do ponto de vista ocidental, <em>Urashima Tar\u00f4<\/em> tem um final considerado infeliz \u2013 o fato de Tar\u00f4 se transformar em um velho e n\u00e3o poder mais encontrar seus pais. Mas, se pensarmos a partir de um vi\u00e9s oriental, talvez o fato se coloque da seguinte maneira: se Tar\u00f4 n\u00e3o abrisse a caixa, permaneceria eternamente jovem; ou seja, n\u00e3o conheceria a morte e, consequentemente, n\u00e3o passaria a outro patamar espiritual de exist\u00eancia (no caso, o al\u00e9m-morte ou, ainda, uma \u201coutra vida\u201d). Isso talvez explique os t\u00e3o \u201cpol\u00eamicos\u201d \u2013 do ponto de vista ocidental \u2013 finais de obras liter\u00e1rias japoneses, e mesmo novelas e animes que, muitas vezes, ou n\u00e3o t\u00eam um final definido, ou apresentam um desfecho que contraria a prefer\u00eancia ocidental do \u201cfelizes para sempre\u201d.<\/p>\n<p>Cabe afirmar que, em alguns <em>mukashi banashi<\/em>, esses finais \u201cabertos\u201d n\u00e3o ocorrem, visto que em narrativas como <em>Issunb\u00f4shi<\/em> o protagonista segue uma trajet\u00f3ria muito pr\u00f3xima \u00e0 dos her\u00f3is dos contos ocidentais, desde as suas primeiras vers\u00f5es (a primeira vers\u00e3o deste <em>mukashi banashi<\/em> encontra-se no <em>Otogiz\u00f4shi<\/em>, \u201cColet\u00e2nea de Contos Maravilhosos\u201d, datada do s\u00e9culo XVI).<\/p>\n<p>Independentemente de suas caracter\u00edsticas, mesmo na contemporaneidade os <em>mukashi banashi<\/em> mant\u00eam o seu encanto, assim como os contos de fadas ocidentais. Seja em forma de livros ilustrados, anima\u00e7\u00f5es e em outras formas de transmiss\u00e3o, principalmente aquelas direcionadas \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Uma modalidade de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias que tem conquistado espa\u00e7o nos \u00faltimos anos \u00e9 o <em>kamishibai<\/em> que, literalmente, pode ser traduzida por \u201cteatro de papel\u201d. Trata-se de hist\u00f3rias que s\u00e3o narradas atrav\u00e9s de l\u00e2minas ilustradas, acomodadas em uma esp\u00e9cie de caixa-palco. Pode-se dizer que praticamente qualquer tipo de narrativa pode ser adaptada ao <em>kamishibai<\/em>; no entanto, os <em>mukashi banashi<\/em> s\u00e3o bastante adequados para isso, na medida em que, por n\u00e3o apresentarem uma extens\u00e3o demasiadamente longa, cabem na quantidade m\u00e9dia de l\u00e2minas propostas para o g\u00eanero, que \u00e9 de doze.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_14045\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/vamos_de_kamishibai\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14045\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-14045\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b.jpg 850w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-280x152.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-768x417.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-580x317.jpg 580w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-340x185.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-220x120.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-100x54.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-130x71.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/imagem-vamos-de-kamishibai-3b-460x250.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14045\" class=\"wp-caption-text\"><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/vamos_de_kamishibai\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Conhe\u00e7a o Vamos de Kamishibai!<\/a><\/strong><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Considerando-se os pa\u00edses onde a cultura japonesa se consolidou atrav\u00e9s dos imigrantes, diversos <em>mukashi banashi <\/em>tornaram-se conhecidos entre os descendentes de japoneses que, fossem crian\u00e7as ou idosos, muitas vezes travaram contato com essas hist\u00f3rias atrav\u00e9s da transmiss\u00e3o oral, contadas por seus pais ou av\u00f3s em sua inf\u00e2ncia \u2013 muito embora, na modernidade, esse tra\u00e7o de dissemina\u00e7\u00e3o cultural tenda a se tornar mais raro. Por outro lado, em diversos pa\u00edses da Europa e nos Estados Unidos, onde a presen\u00e7a de imigrantes japoneses n\u00e3o \u00e9 relevante, o <em>kamishibai <\/em>tem se difundido principalmente nas escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil, como meio de se desenvolver habilidades orais e escritas.<\/p>\n<p>Podemos dizer, ent\u00e3o, que a difus\u00e3o desta modalidade narrativa se apresenta, na atualidade, como uma forma de se manter viva a tradi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s destas hist\u00f3rias, que n\u00e3o s\u00f3 retratam o universo japon\u00eas atrav\u00e9s do tempo mas, tamb\u00e9m, que trazem em sua ess\u00eancia o modo de pensar de seu povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi_2_mukashibanashi_contosocidentais\/\">&lt;&lt; 3. Particularidades dos mukashi banashi japoneses<\/a> \/\/ <a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_mukashi_banashi_5_sugestoes_biblioteca\/\">5. Sugest\u00f5es da Biblioteca &gt;&gt;<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<script type=\"text\/javascript\"> toolTips('.classtoolTips76','A palavra <em><span class='tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips76'>kami<\/span><\/em> significa \u201cm\u00edstico\u201d, \u201csuperior\u201d, \u201cdivino\u201d, estando normalmente ligada ao poder sagrado ou divino.'); <\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea Liter\u00e1rio &gt; Dossi\u00ea Mukashi banashi &gt; 4. Um final infeliz? &nbsp; No que se refere ao final da narrativa, frustrante para muitos, \u00e9 importante considerar que estamos aqui diante de uma quest\u00e3o cultural. Isso se refere tamb\u00e9m \u00e0 quest\u00e3o do manique\u00edsmo das personagens. 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