{"id":15620,"date":"2021-02-26T09:00:02","date_gmt":"2021-02-26T12:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/?page_id=15620"},"modified":"2021-08-27T09:28:11","modified_gmt":"2021-08-27T12:28:11","slug":"traducaoemfoco_rita_kohl","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_rita_kohl\/","title":{"rendered":"Rita Kohl &#8211; Meu caminho at\u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right\"><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco\/\">Tradu\u00e7\u00e3o em Foco<\/a> &gt; Rita Kohl &#8211; Meu caminho at\u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15629 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site.jpg 1200w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site-280x50.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site-768x137.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site-340x61.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site-220x39.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site-100x18.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site-130x23.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/banner-site-460x82.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='cleaner'><\/div>\n<div class='videoWrapper embed-responsive embed-responsive-16by9 ratio ratio-16x9'><iframe title=\"Tradu\u00e7\u00e3o em Foco traz especial sobre a tradutora Rita Kohl\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sxv15H-C-ls?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando eu era crian\u00e7a, tinha a impress\u00e3o de que aprender v\u00e1rias l\u00ednguas era parte da vida, uma dessas coisas que acontecem conforme voc\u00ea cresce, assim como aprendemos a fazer contas, cozinhar, costurar um bot\u00e3o. Era uma sensa\u00e7\u00e3o meio vaga, que s\u00f3 coloquei em palavras mais tarde, ao ter que responder, de novo e de novo, a inevit\u00e1vel pergunta: porque eu estudava japon\u00eas? Ent\u00e3o eu explicava, para os outros e para mim mesma, dizendo que venho de uma fam\u00edlia na qual se falava muitas l\u00ednguas. Tive o privil\u00e9gio de ter cinco av\u00f3s e seja por interesse, por cria\u00e7\u00e3o ou por virem de outros pa\u00edses, todos eles falavam pelo menos dois idiomas. Meu av\u00f4 paterno e minha av\u00f3 materna eram tradutores e trabalhavam com v\u00e1rias l\u00ednguas cada um. Ao pensar no caminho que me levou at\u00e9 o japon\u00eas, sempre considerei que esse contexto familiar explicava meu interesse por aprender idiomas. Mas \u2013 percebi somente agora, ao escrever esse texto \u2013 meus pais vieram das mesmas fam\u00edlias e n\u00e3o foram tomados por nenhum entusiasmo particular por esse estudo. Suponho que o principal motivo seja, portanto, uma boa dose de inclina\u00e7\u00e3o pessoal. Quem sabe, \u00e9 parecido com o que as pessoas que gostam de esportes sentem em rela\u00e7\u00e3o a experimentar novas modalidades e tentar se aprimorar nelas. Eu n\u00e3o saberia dizer, pois nunca fui uma dessas pessoas.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que quando tinha uns sete anos eu quis aprender ingl\u00eas e comecei a ter \u201caulas\u201d com uma av\u00f3. Continuei estudando at\u00e9 sentir que conseguia me virar razoavelmente, na adolesc\u00eancia, quando resolvi passar para a pr\u00f3xima l\u00edngua, e tentei o franc\u00eas. N\u00e3o deu muito certo. Era parecido o suficiente com as duas l\u00ednguas que eu j\u00e1 sabia para n\u00e3o ter a emo\u00e7\u00e3o da novidade, mas n\u00e3o parecido o suficiente para que eu conseguisse de fato falar. Talvez o ar desapontado da minha (outra) av\u00f3 diante da minha incapacidade de pronunciar <em>voiture<\/em> tamb\u00e9m tenha pesado um pouco. No fim, desisti do franc\u00eas e resolvi que queria estudar alguma l\u00edngua bem diferente do portugu\u00eas, em que cada palavra e cada estrutura fossem uma surpresa. Queria saber se, falando uma l\u00edngua completamente diferente, voc\u00ea tamb\u00e9m acabava pensando diferente. Quando fui escolher essa nova l\u00edngua, os ideogramas eram um elemento que me atra\u00eda muito, ent\u00e3o oscilei um pouco entre japon\u00eas e chin\u00eas, mas acabei optando pelo primeiro, que n\u00e3o era tonal e usava menos ideogramas. O contato com mang\u00e1s e anim\u00eas e o fato de ter nascido e crescido em S\u00e3o Paulo, com a presen\u00e7a t\u00e3o grande da comunidade japonesa, sem d\u00favida tamb\u00e9m contribuiu para essa decis\u00e3o, mas o que me movia n\u00e3o era tanto o interesse pelo pa\u00eds ou pela cultura quanto o prazer de conhecer uma l\u00edngua totalmente nova.<\/p>\n<div id=\"attachment_15640\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15640\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15640\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-scaled.jpg 2560w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-280x172.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-768x471.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-1536x943.jpg 1536w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-2048x1257.jpg 2048w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-340x209.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-220x135.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-100x61.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-130x80.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/1-p-20210223-142643-vhdr-auto-460x282.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-15640\" class=\"wp-caption-text\">\u00a9 Alfaguara<\/p><\/div>\n<p>Comecei pelo curso de Nihongo do M\u00e9todo Kumon, tra\u00e7ando p\u00e1gina ap\u00f3s p\u00e1gina de kanas e kanjis (nunca mais tive uma letra t\u00e3o bonita). E o estudo de japon\u00eas certamente me trouxe a tal emo\u00e7\u00e3o da novidade. A ordem inusitada das palavras dentro da frase, os ideogramas com seus muitos tra\u00e7os e leituras&#8230; Lembro do que senti ao ver em uma dessas paginazinhas que a maneira de dizer \u201cchover\u201d era <em>ame ga furimasu<\/em> \u2013 literalmente, \u201ca chuva cai\u201d. N\u00e3o sei por que, mas isso me marcou. Esse verbo que me parecia t\u00e3o simples, \u201cchover\u201d, n\u00e3o existia naquela l\u00edngua? E por outro lado, havia mais de uma maneira de dizer \u201ceu\u201d?! Cada nova informa\u00e7\u00e3o era uma surpresa e eu me sentia um g\u00eanio a cada frase que conseguia ler.<\/p>\n<p>Enquanto isso, fui fazer Hist\u00f3ria na USP, admito que sem saber exatamente por que, e no segundo ano de curso descobri que podia pegar mat\u00e9rias do curso de japon\u00eas da Letras como optativas. Achei \u00f3timo: aulas de japon\u00eas de gra\u00e7a! Mal sabia eu no que estava me metendo.\u00a0 Descobri rapidamente que aquele n\u00e3o era um curso de l\u00edngua qualquer \u2013 estud\u00e1vamos conte\u00fados de morfologia e sintaxe que at\u00e9 hoje eu n\u00e3o sei se entendo muito bem. Mas o surpreendente foi que, apesar da dificuldade das mat\u00e9rias, eu me sentia muito mais \u00e0 vontade ali. No curso de Hist\u00f3ria eu tinha sempre a impress\u00e3o de que estava sempre perdendo alguma coisa fundamental, alguma linha de racioc\u00ednio compartilhada por colegas e professores e que me escapava. Na Letras, o conte\u00fado era dif\u00edcil mas instigante, e o fato de eu j\u00e1 ter entrado sabendo um pouco da l\u00edngua tamb\u00e9m me deixou mais confort\u00e1vel. Assim, decidi mudar de \u00e1rea e ir fazer a habilita\u00e7\u00e3o em japon\u00eas.<\/p>\n<p>Definitivamente n\u00e3o posso dizer que entrei na Letras com o objetivo de me tornar tradutora de literatura. Ficaria muito surpresa se soubesse que, quase duas d\u00e9cadas depois, estaria escrevendo um texto como este para a Funda\u00e7\u00e3o Jap\u00e3o, em cuja biblioteca passei tantas horas durante a gradua\u00e7\u00e3o. A ideia da tradu\u00e7\u00e3o sempre me atraiu, em parte por influ\u00eancia dos meus av\u00f3s, mas tamb\u00e9m porque, para quem gosta de l\u00ednguas, ela parece um desafio divertido, como o n\u00edvel mais dif\u00edcil de um jogo. Mas eu tinha certeza de que jamais conseguiria traduzir literatura, pois pensava que nunca alcan\u00e7aria o n\u00edvel necess\u00e1rio de conhecimento da l\u00edngua. Achava que para traduzir um texto liter\u00e1rio seria preciso conseguir ver cada termo dentro de sua rede completa de rela\u00e7\u00f5es, no espa\u00e7o e no tempo, na obra daquele autor e de todos os outros. Uma vis\u00e3o completamente idealizada e inalcan\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, do alto do meu \u201cvasto\u201d conhecimento da l\u00edngua, eu tendia a ler as tradu\u00e7\u00f5es de japon\u00eas com que tinha contato de maneira muito cr\u00edtica. Para quem conhece a l\u00edngua original \u00e9 muito f\u00e1cil apontar quase qualquer palavra ou frase em uma tradu\u00e7\u00e3o e torcer o nariz: \u201cno original n\u00e3o \u00e9 <em>exatamente<\/em> <em>assim<\/em>\u201d. Afinal, nunca vai ser <em>exatamente assim<\/em>. Trata-se de outro texto, em outra l\u00edngua, e n\u00e3o h\u00e1 paralelos perfeitos entre os idiomas, nem mesmo onde parece haver. Se voc\u00ea estiver buscando as diferen\u00e7as, ver\u00e1 que um p\u00e3o em japon\u00eas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que um p\u00e3o em portugu\u00eas, que n\u00e3o \u00e9 mesma coisa que um p\u00e3o em alem\u00e3o. Isso \u00e9 ainda mais evidente entre duas l\u00ednguas t\u00e3o distantes como portugu\u00eas e japon\u00eas. N\u00e3o h\u00e1 tempos verbais correspondentes. N\u00e3o h\u00e1 como transpor todas as nuances da escrita em ideogramas para a escrita em alfabeto. Se voc\u00ea quiser, pode estar eternamente insatisfeito. Al\u00e9m disso, nenhuma tradu\u00e7\u00e3o poderia estar \u00e0 altura de tudo o que eu via no original, porque eu olhava as palavras e express\u00f5es do japon\u00eas com o deslumbramento de quem acabou de aprend\u00ea-las. Elas ainda n\u00e3o haviam se tornado parte da paisagem, apenas uma outra maneira de dizer as coisas.<\/p>\n<p>Acredito que essas duas posturas, de achar a tradu\u00e7\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1vel e ao mesmo tempo insatisfat\u00f3ria, partiam de um mesmo lugar: a expectativa de que existe uma tradu\u00e7\u00e3o perfeita, correta, na qual n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel apontar nenhuma falta. Se hoje eu trabalho traduzindo literatura \u00e9 porque consegui, felizmente, me livrar dessa vis\u00e3o simplista. E demorei um pouco para chegar l\u00e1.<\/p>\n<div id=\"attachment_15641\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15641\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15641\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-scaled.jpg 1855w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-280x386.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-768x1060.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-1113x1536.jpg 1113w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-1484x2048.jpg 1484w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-340x469.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-220x304.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-100x138.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-130x179.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/2-p-20210223-145300-vhdr-auto-460x635.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-15641\" class=\"wp-caption-text\">\u00a9 Esta\u00e7\u00e3o Liberdade<\/p><\/div>\n<p>Depois da gradua\u00e7\u00e3o, fui fazer mestrado no Jap\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 bolsa de pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do MEXT. A princ\u00edpio pretendia pesquisar literatura contempor\u00e2nea, mais especificamente a recep\u00e7\u00e3o da obra de Haruki Murakami em diferentes pa\u00edses, mas meu orientador sugeriu que, ao longo do meu primeiro ano, eu considerasse outros temas. Aconteceu de uma das mat\u00e9rias que fiz neste ano ser sobre teoria da tradu\u00e7\u00e3o, e eu percebi que muitos dos meus interesses se encontravam ali: n\u00e3o s\u00f3 as quest\u00f5es de l\u00edngua e literatura em si, mas tamb\u00e9m a forma como livros viajam, s\u00e3o recriados e recebidos dentro de outras culturas e \u00e9pocas. Ent\u00e3o resolvi focar nessa \u00e1rea e pesquisei a tradu\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o da obra <em>Musashi<\/em>, de Eiji Yoshikawa, traduzida pela incr\u00edvel Leiko Gotoda, uma obra importante para a tradu\u00e7\u00e3o de literatura japonesa no Brasil e que, a meu ver, abriu caminho para muitas outras.<\/p>\n<p>Durante o mestrado, conforme conhecia mais da teoria, fui compreendendo que a tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma busca pela solu\u00e7\u00e3o \u201ccorreta\u201d, mas uma s\u00e9rie de escolhas (conscientes e inconscientes), que por sua vez se baseiam em uma s\u00e9rie de normas e posturas (tamb\u00e9m conscientes e inconscientes). J\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer uma c\u00f3pia carbono do original, toda tradu\u00e7\u00e3o vai ter que priorizar alguns elementos em detrimento de outros. E assim vai refletir, inevitavelmente, a vis\u00e3o que cada tradutor, seu tempo e sua cultura t\u00eam daquela obra, daquele autor, da cultura de origem do texto e at\u00e9 mesmo da literatura em geral. Tudo isso me ajudou a desmistificar esta atividade, e a possibilidade de eu mesma traduzir alguma coisa foi tomando forma na minha mente. Tamb\u00e9m trabalhei, durante a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, com revis\u00e3o de tradu\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias do japon\u00eas, o que me deixou um pouco mais familiarizada com o processo editorial e come\u00e7ou a me mostrar que nem tudo dependia do tradutor.<\/p>\n<p>S\u00f3 que eu ainda n\u00e3o tinha conseguido me desfazer por completo da ideia de que, para traduzir, era necess\u00e1rio um dom\u00ednio sobre-humano do idioma. E, estranhamente, acho que a essa altura eu me sentia menos confiante em rela\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio da l\u00edngua do que nos meus primeiros anos de estudo. Quando comecei, era incentivada pela satisfa\u00e7\u00e3o a cada voc\u00e1bulo e frase conquistados, e pelo al\u00edvio ao descobrir que as palavras n\u00e3o t\u00eam g\u00eanero, que os verbos t\u00eam muito menos conjuga\u00e7\u00f5es e que n\u00e3o variam entre diferentes pessoas. Apesar de todas as novidades e das dificuldades da escrita, as coisas pareciam relativamente simples. Mas aos poucos percebi que, para me comunicar de maneira realmente efetiva, essa simplicidade n\u00e3o bastava. Era necess\u00e1rio acrescentar outras coisas \u2013 categorias que eu nem sabia que podiam existir, express\u00f5es para as quais o meu c\u00e9rebro n\u00e3o tinha nenhuma gaveta pronta, nenhuma equival\u00eancia. Ou seja, cheguei a um est\u00e1gio em que eu enxergava com muita clareza tudo o que <em>n\u00e3o<\/em> sabia, e foi minando consideravelmente a minha autoconfian\u00e7a. Me pergunto se o mesmo acontece com outras pessoas que aprendem o japon\u00eas como segunda ou terceira l\u00edngua.<\/p>\n<p>Outro fator que pesou nesse aspecto \u00e9 que eu n\u00e3o tinha muitas refer\u00eancias, no Brasil, de tradutores que tivessem aprendido a l\u00edngua da mesma maneira que eu. A presen\u00e7a da comunidade Nikkei no Brasil nos possibilitou um contato muito rico com a l\u00edngua e a cultura, mas tamb\u00e9m fez com que o dom\u00ednio da l\u00edngua japonesa ficasse conectado a um perfil de identidade. Essa situa\u00e7\u00e3o vem mudando nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas quando eu era estudante muitas pessoas, inclusive colegas de outras habilita\u00e7\u00f5es no curso de Letras, ficavam surpresas ao saber que eu estudava japon\u00eas, j\u00e1 que eu n\u00e3o era descendente (uma expectativa que n\u00e3o existia em rela\u00e7\u00e3o aos estudantes de russo, franc\u00eas ou alem\u00e3o). E de fato, a maior parte dos tradutores de que eu tinha not\u00edcia e dos colegas de curso com maior flu\u00eancia eram descendentes. Alguns tinham aprendido a l\u00edngua em casa e, mesmo quando n\u00e3o era esse o caso, geralmente tinham uma rela\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua e a cultura diferente da minha. Aos poucos, internalizei essa ideia de que eu jamais poderia alcan\u00e7ar o mesmo n\u00edvel de profici\u00eancia, um sentimento que s\u00f3 fui identificar e tentar superar mais tarde. E n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o interna \u2013 desde que comecei a trabalhar nessa \u00e1rea encontrei algumas vezes essa postura por parte de clientes e leitores, que ao ver o meu sobrenome desconfiavam da minha habilidade.<\/p>\n<p>Por tudo isso, quando fui convidada a traduzir literatura pela primeira vez, aceitei com a sensa\u00e7\u00e3o de quem pula na \u00e1gua fria. Hoje penso que se durante meus anos como estudante eu n\u00e3o tivesse aquela vis\u00e3o irreal da tradu\u00e7\u00e3o e se a inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a l\u00edngua n\u00e3o me fizesse ter medo de encarar o que eu ainda n\u00e3o sabia, poderia ter experimentado traduzir e aprendido bastante coisa. Por isso me alegra ver que hoje a pr\u00e1tica da tradu\u00e7\u00e3o parece ser mais incentivada nos cursos universit\u00e1rios. Mas, como eu nunca havia me arriscado muito nessa dire\u00e7\u00e3o, no meu caso desconfio que essa era a \u00fanica maneira de come\u00e7ar: pulando de uma vez na \u00e1gua.<\/p>\n<div id=\"attachment_15642\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15642\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15642\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-scaled.jpg 1979w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-280x362.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-768x994.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-1187x1536.jpg 1187w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-1583x2048.jpg 1583w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-340x440.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-220x285.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-100x129.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-130x168.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/3-p-20210223-145728-vhdr-auto-460x595.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-15642\" class=\"wp-caption-text\">\u00a9 Esta\u00e7\u00e3o Liberdade<\/p><\/div>\n<p>Com isso n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o seja necess\u00e1ria uma base firme de conhecimento e familiaridade com a l\u00edngua. Para traduzir sem se perder constantemente no brilho de cada palavra nova, aquele que me ofuscava ao tentar comparar originais e tradu\u00e7\u00f5es l\u00e1 na gradua\u00e7\u00e3o, foi preciso que a l\u00edngua j\u00e1 tivesse se tornado em certa medida parte de mim, para que eu a visse com mais naturalidade. Hoje, acho engra\u00e7ado pensar na minha surpresa aprender a express\u00e3o \u201c<em>ame ga furu\u201d<\/em>, pois ela me parece perfeitamente comum. No entanto, n\u00e3o adiantaria esperar saber \u201ctudo\u201d, at\u00e9 porque ningu\u00e9m tem dom\u00ednio completo de um idioma. Eu falo portugu\u00eas desde que me dou por gente, tive o privil\u00e9gio de uma forma\u00e7\u00e3o excelente e muito contato com literatura, e ainda assim sei que h\u00e1 muitas lacunas no meu conhecimento deste idioma. Entre outros motivos, porque a l\u00edngua \u00e9 sempre m\u00faltipla \u2013 o portugu\u00eas que eu aprendi e uso n\u00e3o \u00e9 o mesmo usado em todos os contextos, nem por todas as pessoas do Brasil.<\/p>\n<p>Portanto, hoje acho que o mais importante para traduzir n\u00e3o \u00e9 conhecer todo o vocabul\u00e1rio ou estruturas mas ter, como dizia meu querido av\u00f4 tradutor, um bom \u201cdesconfi\u00f4metro\u201d. Isto \u00e9, a sensibilidade para suspeitar quando uma palavra pode ter uma nuance particular, quando uma coloca\u00e7\u00e3o parece ser referir a algo externo ao texto, quando h\u00e1 outras possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o para uma frase, etc. Se o seu desconfi\u00f4metro est\u00e1 funcionando bem, h\u00e1 maneiras de complementar a compreens\u00e3o da l\u00edngua e analisar cada caso, j\u00e1 que o tradutor n\u00e3o est\u00e1 sozinho diante do texto \u2013 n\u00e3o \u00e9 uma prova vestibular. Sempre podemos recorrer aos dicion\u00e1rios, enciclop\u00e9dias, gloss\u00e1rios, internet, colegas e amigos pacientes.<\/p>\n<p>Tudo isso vale n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao idioma do texto original mas tamb\u00e9m \u00e0 l\u00edngua de chegada, para a qual se traduz. Minha preocupa\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua japonesa era tamanha que demorei para perceber que a capacidade de manejar bem o portugu\u00eas tamb\u00e9m era important\u00edssima. Afinal, n\u00e3o adianta entender cada uma das pequenas nuances do original, se eu n\u00e3o for capaz de recri\u00e1-las em portugu\u00eas de maneira satisfat\u00f3ria. E tamb\u00e9m neste caso, nem tudo depende de n\u00f3s, h\u00e1 sempre recursos com os quais podemos contar. Um dos que mais uso \u00e9 o dicion\u00e1rio de sin\u00f4nimos. Quando a primeira tradu\u00e7\u00e3o oferecida pelo meu c\u00e9rebro ou pelo dicion\u00e1rio n\u00e3o se encaixa direito onde eu preciso colocar aquela palavra, abro o dicion\u00e1rio de sin\u00f4nimos e pulo de p\u00e1gina em p\u00e1gina, como quem avalia pe\u00e7as de um quebra cabe\u00e7a em busca do formato ideal. (Infelizmente, muitas vezes acabo descobrindo que a pe\u00e7a ideal era uma ilus\u00e3o, e preciso reorganizar o texto para fazer caber uma das op\u00e7\u00f5es que a l\u00edngua me oferece).<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de dicion\u00e1rios e afins, contamos com outros aliados indispens\u00e1veis: revisores, preparadores e editores. Muitas vezes, quando pensamos na tradu\u00e7\u00e3o a tend\u00eancia \u00e9 ver tudo como uma escolha individual, mas o livro n\u00e3o sai direto das m\u00e3os do tradutor para as dos leitores. E a leitura cuidadosa feita por todos esses profissionais \u00e9 fundamental. Eles n\u00e3o s\u00f3 contribuem para aprimorar o meu texto em portugu\u00eas, como j\u00e1 me salvaram de muitas gafes de tradu\u00e7\u00e3o. Pois, ainda que n\u00e3o exista aquela tal tradu\u00e7\u00e3o objetivamente perfeita, existem tradu\u00e7\u00f5es objetivamente erradas, e o meu desconfi\u00f4metro sempre pode falhar.<\/p>\n<div id=\"attachment_15643\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15643\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15643\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-scaled.jpg 2560w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-280x185.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-768x506.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-1536x1013.jpg 1536w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-2048x1350.jpg 2048w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-340x224.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-220x145.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-100x66.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-130x86.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/4-p-20210223-135245-vhdr-auto-460x303.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><p id=\"caption-attachment-15643\" class=\"wp-caption-text\">\u00a9 Alfaguara<\/p><\/div>\n<p>Eu n\u00e3o tinha uma no\u00e7\u00e3o clara de tudo isso quando comecei a traduzir, ent\u00e3o a empreitada parecia bastante assustadora. Por sorte a tradu\u00e7\u00e3o de obras longas, com prazo de entrega, n\u00e3o nos permite o luxo de hesitar por muito tempo. A primeira obra de fic\u00e7\u00e3o que traduzi era relativamente curta, o conto \u201cUm casamento limpo\u201d, de Sayaka Murata. Mesmo assim, eu logo percebi que se tentasse ter certeza e plena convic\u00e7\u00e3o sobre todas as minhas decis\u00f5es, nunca chegaria ao fim da primeira p\u00e1gina, pois a cada escolha estamos descartando outras possibilidades e solu\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m teriam suas vantagens e desvantagens. (Como algu\u00e9m que sofre terrivelmente para escolher um prato em um card\u00e1pio, admito que n\u00e3o sei como sou capaz de tomar decis\u00f5es assim, dezenas de vezes por dia, sem ficar maluca.)\u00a0 Para mim, aceitar isso foi um grande aprendizado de desapego. Tamb\u00e9m percebi que n\u00e3o daria para aplicar, de forma totalmente consciente, todas as teorias sobre tradu\u00e7\u00e3o que eu passara os \u00faltimos anos estudando. N\u00f3s nos preparamos da melhor maneira poss\u00edvel, nos munindo de conhecimento e ferramentas, mas na pr\u00e1tica, acredito que o que nos guia ao traduzir \u00e9 em parte pesquisa e reflex\u00e3o mas tamb\u00e9m uma dose de intui\u00e7\u00e3o e de, como disse o tradutor Caetano Galindo em uma <a href=\"http:\/\/saopauloreview.com.br\/caetano-galindo-aprenda-a-ver-interesse-em-todo-tipo-de-linguagem-na-feia-e-na-bonita-na-correta-e-na-errada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista<\/a>, \u201cporque sim\u201d.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que os maiores dilemas e dificuldades n\u00e3o estavam onde eu esperava encontr\u00e1-los. Ao pensar sobre a tradu\u00e7\u00e3o, inclusive durante a minha pesquisa de mestrado, eu tendia a focar em quest\u00f5es como os estrangeirismos romanizados, notas de rodap\u00e9, a necessidade de explicar objetos desconhecidos ou aspectos hist\u00f3ricos e culturais. Tudo isso \u00e9 desafiador, claro, e ocupa boa parte das minhas reflex\u00f5es ao traduzir. Mas s\u00e3o outras d\u00favidas, muito menos glamorosas, que ocupam muitos dos meus post-its e interroga\u00e7\u00f5es nas margens dos livros: saber se um substantivo \u00e9 singular ou plural, se a porta que bateu foi de uma sala ou de um quarto (j\u00e1 que \u201c<em>heya<\/em>\u201d pode significar as duas coisas), tentar encaixar em portugu\u00eas as milhares de ora\u00e7\u00f5es que formavam frases de doze linhas no original, confirmar se o sujeito (tantas vezes oculto!) \u00e9 quem eu penso, achar os tempos verbais mais adequados. Em alguns casos, mesmo recorrendo a todos os meus recursos n\u00e3o encontro uma resposta definitiva, pois a quest\u00e3o imposta pelo portugu\u00eas simplesmente n\u00e3o estava colocada para o autor do original. Eu esperava encontrar esse tipo de impasse em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas quest\u00f5es citadas no come\u00e7o do par\u00e1grafo, mas n\u00e3o sobre coisas t\u00e3o prosaicas como singular ou plural. Nessas horas, penso em algu\u00e9m que traduz um texto do portugu\u00eas para japon\u00eas e, ao se deparar com um \u201cirm\u00e3o\u201d, precisa determinar se se trata de um irm\u00e3o mais velho ou mais novo. Pelo menos, sei que n\u00e3o estou sozinha.<\/p>\n<p>Outra coisa que aprendi \u00e9 que nem sempre os livros que parecem mais dif\u00edceis ou que d\u00e3o mais trabalho ao ler \u2013 com refer\u00eancias complexas ou um vocabul\u00e1rio mais rebuscado, por exemplo \u2013 s\u00e3o os mais dif\u00edceis de traduzir. H\u00e1 quest\u00f5es que parecem complicad\u00edssimas mas podem ser resolvidas com uma boa consulta ao dicion\u00e1rio ou uma breve nota de rodap\u00e9. Enquanto outras coisas, que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o dificultam a leitura do original como at\u00e9 o deixam mais leve, como o senso de humor ou as marcas de oralidade, podem dar muita dor de cabe\u00e7a para o tradutor. Serei sempre grata por esse aprendizado ao Nana, gato-narrador do livro <em>Relatos de um gato viajante<\/em>, de Hiro Arikawa, cujo senso de humor me deu bastante trabalho.<\/p>\n<div id=\"attachment_15644\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15644\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15644\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-scaled.jpg 1822w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-280x393.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-768x1079.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-1093x1536.jpg 1093w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-1458x2048.jpg 1458w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-340x478.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-220x309.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-100x140.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-130x183.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/5-p-20210223-144152-vhdr-auto-1-460x646.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-15644\" class=\"wp-caption-text\">\u00a9 Alfaguara<\/p><\/div>\n<p>Mas o divertido \u00e9 que apesar de todos esses desafios, dos mais mundanos aos mais existenciais, no fim d\u00e1-se um jeito. No come\u00e7o de um novo projeto, principalmente de um autor novo, tudo parece muito mais dif\u00edcil. Nesse momento, ainda n\u00e3o sei como recriar satisfatoriamente caracter\u00edsticas do estilo do autor e alguns termos podem parecer simultaneamente cruciais para a narrativa e impenetr\u00e1veis para os leitores brasileiros. Isto \u00e9, ainda n\u00e3o descobri as solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis nem me desapeguei do que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel transportar sem perdas. Fico aflita por saber que se eu escrever \u201cloja de conveni\u00eancia\u201d o leitor n\u00e3o vai pensar em uma <em>konbini<\/em>. Mas ao longo do trabalho tudo vai se assentando. Encontro caminhos, aceito os becos sem sa\u00edda e \u2013 o mais importante \u2013 vou percebendo que o livro se sustenta nessa nova vers\u00e3o. Que n\u00e3o \u00e9 apenas a minha escolha de palavras que vai permitir, ou n\u00e3o, que um leitor que nunca saiu deste continente imagine uma loja de conveni\u00eancia em T\u00f3quio. Ainda que cada termo isolado n\u00e3o possa ser traduzido \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, o que possibilita que os leitores vivenciem o que \u00e9 uma <em>konbini<\/em> \u00e9 a obra como um todo, a narrativa criada pela autora, com suas imagens, sons, gestos. Desta forma, a cada livro aprendo n\u00e3o s\u00f3 sobre ambas as l\u00ednguas mas tamb\u00e9m a confiar que os livros conseguem cruzar as fronteiras, ressurgir em outra l\u00edngua e continuar vivos, mesmo que eu me aflija vendo o que eles tiveram que deixar para tr\u00e1s para fazer a viagem. Aos poucos, vou aprendendo tamb\u00e9m a confiar na minha pr\u00f3pria capacidade de encontrar solu\u00e7\u00f5es para que ele possa trazer aquilo que me parece essencial.<\/p>\n<p>Muito se fala sobre a quest\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o ser imposs\u00edvel e, ao mesmo tempo, poss\u00edvel. Eu n\u00e3o esperava me ver repetindo esse clich\u00ea, mas a verdade \u00e9 que lido diariamente com essa contradi\u00e7\u00e3o. E arrisco dizer que \u00e9 justamente a\u00ed que est\u00e1 a divers\u00e3o. Esses dias, topei com uma anota\u00e7\u00e3o feita no canto de um texto, um coment\u00e1rio do professor Ken Inoue feito naquele primeiro curso de estudos de tradu\u00e7\u00e3o que fiz no mestrado: \u201cN\u00e3o \u00e9 justamente por a tradu\u00e7\u00e3o ser imposs\u00edvel que n\u00f3s temos vontade de traduzir? Se fosse apenas trocar <em>kuro<\/em> por <em>black<\/em>, s\u00f3 substituir uma palavra por outra, n\u00e3o teria gra\u00e7a\u201d. N\u00e3o lembro o que pensei na \u00e9poca ao ouvir isso, mas hoje acho que ele tinha raz\u00e3o. E parece que no fim o imposs\u00edvel \u00e9 mesmo poss\u00edvel, porque as pessoas leem os textos e gostam das hist\u00f3rias. Nos \u00faltimos tempos, tenho me esfor\u00e7ado para me lembrar dessa parte. Com o nariz enfiado nas dificuldades de cada livro, ou mesmo nas reflex\u00f5es te\u00f3ricas sobre a tradu\u00e7\u00e3o, descobri que \u00e9 surpreendentemente f\u00e1cil perder de vista o objetivo primeiro dessa atividade: permitir que pessoas leiam obras que n\u00e3o conseguiriam ler no original. Esse fato t\u00e3o simples me d\u00e1 \u00e2nimo para o trabalho e tamb\u00e9m me impede de cair naquele outro clich\u00ea, bem pior, de lamentar pelo que se \u201cperde\u201d na tradu\u00e7\u00e3o. Vale mais pensar no que se ganha: novos textos e leitores, novas pontes e interesses.<\/p>\n<p>Eu comecei a estudar japon\u00eas querendo saber se falar outra l\u00edngua me faria pensar diferente. Desconfio que sim, apesar de n\u00e3o saber dizer exatamente como, pois j\u00e1 \u00e9 imposs\u00edvel separar o conhecimento da l\u00edngua da minha forma de pensar. O que posso dizer \u00e9 que esse aprendizado enriqueceu imensamente a minha vida. Mas sei que nem todo mundo compartilha do entusiasmo por aprender l\u00ednguas que, por algum motivo, me acompanha desde sempre. H\u00e1 quem sinta o mesmo por matem\u00e1tica, surfe, odontologia, aquarela&#8230; Sei tamb\u00e9m que dificilmente aprenderei muitos outros idiomas com tanta profundidade, nesta encarna\u00e7\u00e3o. Ainda bem que existem diversos caminhos para ter acesso a outras formas de pensar, a outras culturas e experi\u00eancias de vida \u2013 como, por exemplo, ler a literatura de diversos tempos e lugares, traduzida por quem consegue ler o que n\u00f3s n\u00e3o conseguimos. E me alegra muito poder abrir esse caminho para mais pessoas. Espero que os leitores busquem e encontrem nessas obras n\u00e3o apenas o Jap\u00e3o como Outro, distante, mas cada um dos escritores e personagens como seres humanos, mostrando a riqueza dos modos de existir e sentir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15623 alignleft\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact.jpg\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact.jpg 1000w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact-280x245.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact-768x673.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact-340x298.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact-220x193.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact-100x88.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact-130x114.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-rita-kohl-compact-460x403.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 316px) 100vw, 316px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #4097c2\"><strong>Rita Kohl<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #4097c2\">Tradutora de literatura japonesa. Nascida em S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou a estudar a l\u00edngua japonesa no final do ensino m\u00e9dio. \u00c9 bacharel em Letras-Japon\u00eas e Portugu\u00eas na FFLCH, USP e mestre em literatura comparada pela Graduate School of Arts and Sciences da Universidade de T\u00f3quio. Atualmente d\u00e1 aulas de l\u00edngua japonesa e traduz literatura contempor\u00e2nea. Traduziu romances\u00a0de Yoko Ogawa, Haruki Murakami,<em>\u00a0<\/em>Hiro Arikawa e Sayaka Murata,\u00a0contos e ensaios desses e de outros autores e a pe\u00e7a\u00a0<em>N\u00f3s, os outros ilesos<\/em>\u00a0do dramaturgo Toshiki Okada. Recebeu o\u00a0terceiro lugar na categoria tradu\u00e7\u00e3o do 59\u00ba Pr\u00eamio Jabuti pela obra\u00a0<em>Ou\u00e7a a can\u00e7\u00e3o do vento &amp; Pinball 1973<\/em>.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-12452 aligncenter\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09.png\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"90\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09.png 1158w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09-280x65.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09-768x178.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09-340x79.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09-220x51.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09-100x23.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09-130x30.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/identidade-botao-09-09-09-09-460x107.png 460w\" sizes=\"(max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_driksada\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-13011\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"137\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01.png 1206w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01-280x142.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01-768x388.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-drik-2-01-01-460x233.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_licahashimoto\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-13012\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"137\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01.png 1206w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01-280x142.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01-768x388.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/identidade-botao-lica-2-01-460x233.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_stephaniehavir\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-13159\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"137\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01.jpg 1206w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01-280x142.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01-768x388.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01-340x172.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01-220x111.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01-100x51.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01-130x66.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/identidade-botao-stephanie-01-460x233.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_jaqueline_nabeta\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-14288\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"137\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01.png 1206w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01-280x142.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01-768x388.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-jaqueline-nabeta-01-460x233.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_eunice_suenaga\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-14445\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"137\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01.png 1206w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01-280x142.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01-768x388.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/identidade-botao-eunice-suenaga-01-460x233.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_andrei_cunha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-15285\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"137\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01.png 1206w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01-280x142.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01-768x388.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/identidade-botao-andrei-cunha-01-460x233.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_thiago_nojiri\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-16148\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri.png 578w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri-280x141.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/identidade-botao-thiago-nojiri-460x232.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_lidia_ivasa\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-16542\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa.png 578w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa-280x141.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/identidade-botao-lidia-ivasa-460x232.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_dirce_miyamura\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-16696\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura.png 578w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura-280x141.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/identidade-botao-dirce-miyamura-460x232.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_monica_okamoto\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-16959\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto.png 578w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto-280x141.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/identidade-botao-identidade-botao-monica-okamoto-460x232.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_diogo_kaupatez\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid alignnone wp-image-17145\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez.png 578w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez-280x141.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/identidade-botao-identidade-botao-diogo-kaupatez-460x232.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/traducaoemfoco_felipe_monte\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-fluid  alignnone wp-image-17409\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"137\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01.png 579w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01-280x142.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01-340x172.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01-220x111.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01-100x51.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01-130x66.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/identidade-botao-identidade-botao-felipe-monte-01-460x233.png 460w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #000000\">*Os usos de imagens e conte\u00fados desta p\u00e1gina s\u00e3o exclusivamente para fins educacionais e de divulga\u00e7\u00e3o de cultura japonesa, sem fins comerciais.<\/span><\/h6>\n<script type=\"text\/javascript\"> toolTips('.classtoolTips76','A palavra <em><span class='tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips76'>kami<\/span><\/em> significa \u201cm\u00edstico\u201d, \u201csuperior\u201d, \u201cdivino\u201d, estando normalmente ligada ao poder sagrado ou divino.'); <\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradu\u00e7\u00e3o em Foco &gt; Rita Kohl &#8211; Meu caminho at\u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o &nbsp; &nbsp; Quando eu era crian\u00e7a, tinha a impress\u00e3o de que aprender v\u00e1rias l\u00ednguas era parte da vida, uma dessas coisas que acontecem conforme voc\u00ea cresce, assim como aprendemos a fazer contas, cozinhar, costurar um bot\u00e3o. Era uma sensa\u00e7\u00e3o meio vaga, que s\u00f3 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"class_list":["post-15620","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/15620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15620"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/15620\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17415,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/15620\/revisions\/17415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}