{"id":15787,"date":"2021-03-03T10:05:43","date_gmt":"2021-03-03T13:05:43","guid":{"rendered":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/?page_id=15787"},"modified":"2021-03-08T09:22:02","modified_gmt":"2021-03-08T12:22:02","slug":"dossie_literatura_feminina_3_higuchi_ichiyo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literatura_feminina_3_higuchi_ichiyo\/","title":{"rendered":"3. O caso de Higuchi Ichiy\u00f4"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literario\/\">Dossi\u00ea Liter\u00e1rio<\/a> &gt; <a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literatura_feminina\/\">Dossi\u00ea Literatura de autoria feminina no Jap\u00e3o moderno<\/a>&gt; 3. O caso de Higuchi Ichiy\u00f4<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive alignnone wp-image-11642 size-full\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png\" alt=\"\" width=\"4032\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png 4032w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-280x15.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-768x42.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-340x19.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-220x12.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-100x6.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-130x7.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-460x25.png 460w\" sizes=\"(max-width: 4032px) 100vw, 4032px\" \/><\/p>\n<p>Uma das maiores autoras do inicio do s\u00e9culo XX, conhecida por seu estilo \u00fanico em que conseguiu mesclar a l\u00edrica da poesia cl\u00e1ssica a temas modernos, como a condi\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade, frente \u00e0 pobreza e a prostitui\u00e7\u00e3o, Higuchi Ichiy\u00f4 (1872- 1896) foi \u201ca voz do per\u00edodo Meiji\u201d, segundo escreveu Mori \u00d4gai (1862- 1922), ap\u00f3s o falecimento da escritora, por tuberculose com apenas 24 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_15836\" style=\"width: 372px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15836\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15836\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/10-higuchi-ichiyo-in-1895.jpg\" alt=\"\" width=\"362\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/10-higuchi-ichiyo-in-1895.jpg 448w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/10-higuchi-ichiyo-in-1895-280x309.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/10-higuchi-ichiyo-in-1895-340x376.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/10-higuchi-ichiyo-in-1895-220x243.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/10-higuchi-ichiyo-in-1895-100x110.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/10-higuchi-ichiyo-in-1895-130x144.jpg 130w\" sizes=\"(max-width: 362px) 100vw, 362px\" \/><p id=\"caption-attachment-15836\" class=\"wp-caption-text\">Higuchi Ichiy\u00f4 (1895)<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Higuchi_Ichiyo_in_1895.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikimedia Commons<\/a><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ichiy\u00f4, que teve acesso apenas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na <em>Haginoya<\/em>, uma pequena escola de forma\u00e7\u00e3o de mo\u00e7as, onde ela aprendeu os fundamentos da poesia cl\u00e1ssica e leu os cl\u00e1ssicos da literatura de Heian, se tornaria a representa\u00e7\u00e3o, tanto em suas obras e quanto em sua biografia do paradoxo cobrado das escritoras de sua \u00e9poca, que tinham de se preocupar com o estilo de suas obras refletindo e analisando a realidade das mulheres na sociedade, enquanto precisavam se manter castas e exemplares diante dessa mesma sociedade. Enfim precisavam ser um modelo a ser seguido, de independ\u00eancia financeira e intelectual, sem perder a depend\u00eancia dos modelos do per\u00edodo Edo (1603 \u2013 1868). Enfim um ideal imposs\u00edvel de ser alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>A autora que passou a escrever literatura profissionalmente ainda com 14 anos, a fim de sustentar sua m\u00e3e e irm\u00e3 mais nova, ap\u00f3s a morte do pai, assumindo as d\u00edvidas do irm\u00e3o mais velho e encarregando-se da chefia da casa, passou a ser vista anos ap\u00f3s a sua morte como exemplo de mulher, devido os sofrimentos vividos para se manter \u201cpura\u201d diante da sociedade de Meiji. Para que essa imagem de m\u00e1rtir fosse difundida, apenas suas obras, que descreviam a mulher sempre a margem da sociedade, foram comparadas \u00e0 sua vida, mas seu di\u00e1rio \u2013 \u201cO Di\u00e1rio de Higuchi Ichiyo\u201d (<em>Higuchi Ichiyo<\/em> <em>Nikki<\/em>, 1887 -1896) obra ainda pouco estudada, e por vezes vendida separadamente de sua antologia completa, revela claramente a luta da escritora em se manter atuante junto aos c\u00edrculos liter\u00e1rios que se formavam, ao mesmo tempo, que buscava preservar sua imagem de mo\u00e7a casta.<\/p>\n<p>Higuchi Ichiy\u00f4 teve como tutor, que lhe fez sugest\u00f5es sobre como deveria escrever para o p\u00fablico moderno, o tamb\u00e9m escritor T\u00f4sui Nakarai (1861 \u2013 1926). Segundo relatos biogr\u00e1ficos da autora, contidos em seu di\u00e1rio, ela precisou de afastar de T\u00f4sui devido a boatos de que os dois teriam um relacionamento mais \u00edntimo, e embora ele fosse vi\u00favo e a escritora solteira, esse rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria vista com bons olhos pela sociedade da \u00e9poca, visto que ele assumiria as d\u00edvidas da fam\u00edlia da mo\u00e7a. Segundo Keene (1995), que analisa o di\u00e1rio da autora;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px\">Olhando objetivamente, tudo o que aconteceu foi que ela rejeitou a ajuda de T\u00f4sui depois que ela percebeu que era in\u00fatil depender dele, vender suas hist\u00f3rias e fornecer a renda necess\u00e1ria para as despesas de vida. Ela decidiu confiar em Tanabe Kaho. Foi algo simples assim. E assim, aconteceu que Ichiy\u014d utilizou o esc\u00e2ndalo de suas supostas rela\u00e7\u00f5es com Tosui para estabelecer la\u00e7os com Miyako no Hana. Se T\u00f4sui tivesse tido influ\u00eancia suficiente para ajud\u00e1-la a fazer sua estreia com sucesso, ou se Ichiy\u014d pudesse ter contado que ele providenciasse um subs\u00eddio fixo para as despesas de moradia, ela certamente n\u00e3o teria rompido com ele formalmente, n\u00e3o importando o quanto na Haginoya (escola) fosse relevante. Tosui poderia argumentar que foi um escritor sorte abaixo, que foi tra\u00eddo por Ichiy\u014d. (p.286).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso comprova que mais do que uma mo\u00e7a casta e \u201csofredora\u201d Higuchi Ichiy\u00f4 assim como muitas mulheres de seu tempo buscava ser reconhecida por sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e n\u00e3o por seu g\u00eanero. Embora Keene (1995) pare\u00e7a certamente machista em seu coment\u00e1rio sobre a rejei\u00e7\u00e3o de T\u00f4sui, nos parece que havia maior preocupa\u00e7\u00e3o sobre o caso de amor entre o casal, do que se ela tinha ou n\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de se manter por meio de sua escrita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_15837\" style=\"width: 287px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15837\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-15837\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo.jpg\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo.jpg 1486w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-280x475.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-768x1302.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-906x1536.jpg 906w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-1208x2048.jpg 1208w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-340x576.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-220x373.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-100x170.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-130x220.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/11-higuchi-ichiyo-460x780.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 277px) 100vw, 277px\" \/><p id=\"caption-attachment-15837\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro <strong>Ichiy\u00f4sh\u00fb<\/strong> (\u201cColet\u00e2nea Ichiy\u00f4\u201d). Hakubunkan, 1911.<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/dl.ndl.go.jp\/info:ndljp\/pid\/1088069\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cole\u00e7\u00e3o Digital National Diet Library<\/a><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os di\u00e1rios de Higuchi Ichiy\u00f4, com mais de 30 volumes, seguem o modelo cl\u00e1ssico de estrutura c\u00edclica das damas de Heian, onde as entradas da obra s\u00e3o marcadas com termos sazonais. Mesclando a descri\u00e7\u00e3o do dia a dia de uma mulher, que buscava a independ\u00eancia financeira por meio da for\u00e7a de seu trabalho, \u00e0 liricidade refletida nas evoca\u00e7\u00f5es sobre o passado, sobre a arte e a efemeridade da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px\">Seu di\u00e1rio pertence a mais antiga tradi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero no Jap\u00e3o, uma volta ao Di\u00e1rio da Efemeridade, cuja autora se perguntou, mesmo quando ela insistia que ela escrevia apenas a verdade, se algumas falsidades n\u00e3o haviam se infiltrado em sua narrativa dos fatos.<br \/>\nIchiy\u014d come\u00e7ou a manter um di\u00e1rio em 1887, quando ela tinha quinze anos de idade. N\u00e3o est\u00e1 claro o que a levou a faz\u00ea-lo. Naturalmente, n\u00e3o \u00e9 de modo algum incomum para uma menina de quinze anos desejar confiar suas emo\u00e7\u00f5es a um di\u00e1rio, mas o de Ichiy\u014d se distinguia da maioria dos outros, mantidos por escritores da era Meiji, por sua dic\u00e7\u00e3o arcaica, um estilo pseudo-Heian que ela mant\u00e9u durante todo o di\u00e1rio, independentemente do assunto discutido (KEENE, 1995, p.287).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estilo da autora, para o qual Keene chama a aten\u00e7\u00e3o no excerto supracitado, ainda hoje \u00e9 motivo de muitas discuss\u00f5es sobre a originalidade da produ\u00e7\u00e3o de Higuchi. Isso porque, enquanto que para os cr\u00edticos da d\u00e9cada de 60 provaria a influ\u00eancia direta das obras cl\u00e1ssicas japonesas, refor\u00e7ando a imagem da mulher modelo, conhecida como \u201ca \u00faltima mulher do Jap\u00e3o antigo\u201d; estudiosos da obra da autora, da d\u00e9cada de 80, veem a modernidade inerente na mesma produ\u00e7\u00e3o, ao discutir temas voltados a luta feminina e feminista no Jap\u00e3o. Nas palavras de Van Compernolle (2006),<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px\">Esta imagem da \u201c\u00faltima mulher do Jap\u00e3o antigo\u201d foi fortalecida (talvez involuntariamente) pela primeira gera\u00e7\u00e3o de cr\u00edticos de Ichiy\u00f4, do p\u00f3s-guerra. Reconhecidamente, esses estudiosos concentraram-se menos na interpreta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de Ichiy\u00f4, do que na reconstru\u00e7\u00e3o de sua vida, e mesmo quando eles faziam an\u00e1lises de seus textos a exegese ocasionalmente tomava a forma de uma redu\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica, na qual ambos, a concep\u00e7\u00e3o para os temas na obra, foram procurados apenas em eventos da pr\u00f3pria vida de Ichiy\u00f4 (uma pr\u00e1tica, ali\u00e1s, de modo algum estranho a tend\u00eancias mais amplas na critica liter\u00e1ria japonesa daquela \u00e9poca). Esse grupo de estudiosos conclu\u00edram uma necess\u00e1ria e significativa tarefa de coment\u00e1rios das obras de Ichiy\u00f4, que naquela \u00e9poca se tornara bem dif\u00edcil para ler, aumentando a sensa\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia dela da modernidade. Todas as obras da autora foram integralmente comentadas \u2013 e as mais aclamadas obras receberam essa aten\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes \u2013 dado assim a cole\u00e7\u00e3o de obras de Ichiy\u00f4 aparenta e nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de ser uma moderna edi\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos liter\u00e1rios japoneses. Isto \u00e9 onde os cr\u00edticos p\u00f3s-guerra contribu\u00edram inevitavelmente para a imagem de Ichiy\u00f4 como um adiar dos tempos pr\u00e9-modernos. (&#8230;). Contudo, os cr\u00edticos p\u00f3s-guerra n\u00e3o se perguntaram sobre o prop\u00f3sito ou fun\u00e7\u00e3o dessas alus\u00f5es aos textos antigos. A suposi\u00e7\u00e3o t\u00e1cita deles parecia ser a de que aquela alus\u00e3o serviria para a inten\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Ichiy\u00f4 e refletiria sua paix\u00e3o pela literatura do passado. (p.03 e 04)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Van Compernolle (2006) tanto o grupo que buscava provar as influ\u00eancias cl\u00e1ssicas, baseados na biografia da autora, quanto \u00e0queles que procuravam a modernidade n\u00e3o se atentando ao estilo de escrita de Higuchi, acabaram reduzindo a obra da escritora a dois patamares estil\u00edsticos. Nas palavras de Compernolle (2006) o \u201cdiscurso cr\u00edtico, ent\u00e3o, parece incapaz de pensar simultaneamente sobre Ichiy\u00f4 como uma autora com ra\u00edzes na literatura tradicional japonesa e como uma escritora engajada com problemas na sociedade moderna\u201d (p.05). Para ele embora a autora mantenha voc\u00e1bulos e um estilo do s\u00e9culo anterior, determinado por sua forma\u00e7\u00e3o, que se comparada aos outros escritores fora escassa, ela consegue descrever com mais realismo a viv\u00eancia daqueles que ficaram \u00e0 margem da modernidade adquirida (leia-se aqui comprada) pelo Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto muitos autores se preocupavam com a decad\u00eancia da elite japonesa e o crescimento da burguesia, cada vez mais seguindo moldes europeus, Higuchi Ichiy\u00f4 trouxe em suas obras como \u201cTakekurabe\u201d (<em>Jogos de Crian\u00e7a, <\/em>1895 -1896), \u201cNigorie\u201d (<em>Aguas Turvas,<\/em> 1986), \u201cJ\u00fbsanya\u201d (<em>13 Noites de Sonho<\/em>, 1986) e \u201cWakaremichi\u201d (<em>Caminhos Opostos<\/em>, 1986) a perspectiva das mulheres, que n\u00e3o apenas naquele momento, mas muito antes n\u00e3o tiveram oportunidades de ascens\u00e3o social, n\u00e3o por falta de esfor\u00e7o, mas sim devido as pr\u00f3prias constru\u00e7\u00f5es sociais pr\u00e9-concebidas no per\u00edodo dos samurais. Assim por mais que elas tentassem, n\u00e3o haveria destino diferente. Para Malag\u00f3n (2014), sobre as personagens femininas de Higuchi Ichiy\u00f4,<\/p>\n<p>As mulheres desta hist\u00f3ria s\u00e3o representantes n\u00e3o apenas do abuso e da opress\u00e3o feminina na \u00e9poca, mas tamb\u00e9m da vulnerabilidade de sua situa\u00e7\u00e3o. Aquelas mulheres suficiente afortunadas em casar-se, deviam observar, impotentes e em sil\u00eancio, o descontrole de seus maridos e infidelidades, vendo-se arrastadas a pobreza e a humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica sem nenhuma contesta\u00e7\u00e3o (p. 199)<\/p>\n<p>De acordo com o excerto supracitado, as personagens de Higuchi, assim como muitas mulheres da \u00e9poca ressaltavam em seus destinos, que embora a sociedade modernizava-se economicamente, socialmente continuava presa a padr\u00f5es e tradi\u00e7\u00f5es obsoletos, que sempre violentariam as mulheres.<\/p>\n<p>Essa perspectiva moderna sobre quest\u00f5es sociais seriam a forma original criado pela autora para descrever a sociedade de Meiji. Nas palavras de Van Compernolle (2006),<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 200px\">A dist\u00e2ncia de Ichiy\u00f4 de uma ideologia emergente da quebra entre o pr\u00e9-moderno e o moderno faz dela ser \u00fanica (naquele momento), por sua forte educa\u00e7\u00e3o nos cl\u00e1ssicos japoneses e sua falta quase completa de ambos: institui\u00e7\u00f5es com sistema educacional moderno e literatura ocidental. Portanto, tem muito pouco a ver com algum tipo de nostalgia do passado diante de ideias e pr\u00e1ticas estrangeiras. Sua paix\u00e3o pela literatura antiga foi presente desde os tempos quando ela era uma menina, quando leu algumas coisas de escritores do Per\u00edodo Edo como Takizawa Bakin (1767 \u2013 1848). (p.16)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo assim podemos afirmar, assim como fez Mori \u00d4gai, que a autora foi a maior representante de sua \u00e9poca, e que abriria caminho para outras escritoras, apontando por meio de suas obras, que a \u201cnova mulher\u201d japonesa poderia transitar entre espa\u00e7os e estilos, sem ter de seguir um modelo europeu, pois que possuindo uma heran\u00e7a cl\u00e1ssica ficcional, daria continuidade a esta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literatura_feminina_2_revistas_literarias_publicacoes\/\">&lt;&lt; 2. Revistas Liter\u00e1rias e Publica\u00e7\u00f5es<\/a> \/\/ <\/strong><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literatura_feminina_4_conclusao\/\">4. Conclus\u00e3o &gt;&gt;\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<script type=\"text\/javascript\"> toolTips('.classtoolTips77','<span class=\"TextRun  BCX0 SCXW127757320\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun  BCX0 SCXW127757320\"><em>Lato sensu<\/em>,\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun  BCX0 SCXW127757320\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun  BCX0 SCXW127757320\">\u201cpoesia em japon\u00eas\u201d.\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun  BCX0 SCXW127757320\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun  BCX0 SCXW127757320\"><em>Stricto sensu<\/em>,\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun  BCX0 SCXW127757320\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun  BCX0 SCXW127757320\">o mesmo que\u00a0<\/span><\/span><span class=\"TextRun  BCX0 SCXW127757320\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><em><span class=\"NormalTextRun SpellingErrorV2  BCX0 DefaultHighlightTransition SCXW127757320\"><span class='tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips75'>tanka<\/span><\/span><\/em><span class=\"NormalTextRun  BCX0 SCXW127757320\">.<\/span><\/span>'); <\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea Liter\u00e1rio &gt; Dossi\u00ea Literatura de autoria feminina no Jap\u00e3o moderno&gt; 3. O caso de Higuchi Ichiy\u00f4 Uma das maiores autoras do inicio do s\u00e9culo XX, conhecida por seu estilo \u00fanico em que conseguiu mesclar a l\u00edrica da poesia cl\u00e1ssica a temas modernos, como a condi\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade, frente \u00e0 pobreza e a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"class_list":["post-15787","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/15787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15787"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/15787\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15878,"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/15787\/revisions\/15878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}