{"id":17479,"date":"2021-09-30T09:00:36","date_gmt":"2021-09-30T12:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/?page_id=17479"},"modified":"2021-09-10T17:00:12","modified_gmt":"2021-09-10T20:00:12","slug":"dossie_tradicao_japones_2_historia_escrita_japonesa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_tradicao_japones_2_historia_escrita_japonesa\/","title":{"rendered":"2. A hist\u00f3ria da escrita japonesa \u00e9 uma hist\u00f3ria de tradu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_literario\/\">Dossi\u00ea Liter\u00e1rio <\/a>&gt; <a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_tradicao_japones\/\">Dossi\u00ea &#8211; A tradu\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o japonesa<\/a>\u00a0&gt; 2. A hist\u00f3ria da escrita japonesa \u00e9 uma hist\u00f3ria de tradu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive alignnone wp-image-11642 size-full\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png\" alt=\"\" width=\"4032\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1.png 4032w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-280x15.png 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-768x42.png 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-340x19.png 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-220x12.png 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-100x6.png 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-130x7.png 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/pattern-v1-03-1-460x25.png 460w\" sizes=\"(max-width: 4032px) 100vw, 4032px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o Jap\u00e3o \u00e9 uma periferia liter\u00e1ria, logo, a tradu\u00e7\u00e3o deve ocupar um papel de grande import\u00e2ncia na hist\u00f3ria da literatura do pa\u00eds. Mas como averiguar isso? Eu escolhi olhar para a hist\u00f3ria da escrita japonesa. Essa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 apenas uma hist\u00f3ria de escrita, mas tamb\u00e9m de rela\u00e7\u00f5es exteriores e de trocas culturais. Como, ent\u00e3o, se deu essa hist\u00f3ria? Como foi que a escrita japonesa se tornou o que \u00e9 hoje? Para explicar isso, \u00e9 preciso n\u00e3o s\u00f3 olhar para a escrita, mas para a hist\u00f3ria; a hist\u00f3ria do pa\u00eds e de suas rela\u00e7\u00f5es com outros locais ao longo dos s\u00e9culos. Assim, a hist\u00f3ria da escrita, percept\u00edvel atrav\u00e9s da hist\u00f3ria liter\u00e1ria, social e pol\u00edtica, toma forma e resulta no que temos hoje \u2014 uma hist\u00f3ria que s\u00f3 foi poss\u00edvel atrav\u00e9s da tradu\u00e7\u00e3o, ou das tradu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>PRIMEIRO MOMENTO: O IN\u00cdCIO DE UM LONGO PROCESSO<\/strong><\/h3>\n<p>A escrita passa a se desenvolver no Jap\u00e3o no s\u00e9culo V, apesar do contato com o continente (em espec\u00edfico os territ\u00f3rios hoje conhecidos como China e Coreia) j\u00e1 existir h\u00e1 alguns s\u00e9culos. Assim sendo, o in\u00edcio da escrita se d\u00e1 pela ado\u00e7\u00e3o de caracteres advindos das capitais das dinastias chinesas, chamados em japon\u00eas de <em>kanji<\/em> (\u6f22\u5b57), devido ao apre\u00e7o pela cultura da na\u00e7\u00e3o j\u00e1 estabelecida. Contudo, a gram\u00e1tica e a fon\u00e9tica entre os idiomas chineses e a l\u00edngua japonesa s\u00e3o muito distintas. Logo, desafios seriam inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Assim como a l\u00edngua portuguesa ainda hoje passa por acordos ortogr\u00e1ficos devido ao uso de um sistema de escrita que n\u00e3o foi pensado especificamente para o portugu\u00eas, a l\u00edngua japonesa tamb\u00e9m teve de se adaptar ao adotar um sistema de escrita estrangeiro. Por\u00e9m, como as diferen\u00e7as n\u00e3o eram apenas fon\u00e9ticas, devido ao car\u00e1ter tamb\u00e9m sem\u00e2ntico e gramatical dos caracteres chineses, a problem\u00e1tica est\u00e1 em uma escala maior.<\/p>\n<p>Devido a essa discrep\u00e2ncia lingu\u00edstica, os registros mais antigos que temos da literatura japonesa, datados do s\u00e9culo VIII, durante a era Nara (710\u2013794), o <em>Kojiki<\/em> e o <em>Nihonshoki<\/em>, foram escritos utilizando os <em>man\u2019y\u014dgana<\/em>, uma forma anterior aos <em>kana<\/em> \u2014 <em>hiragana <\/em>e <em>katakana<\/em> \u2014 que conhecemos hoje, que se valiam foneticamente dos caracteres chineses. O <em>Kojiki<\/em>, de 712, possui um formato mais dom\u00e9stico, com o objetivo de registrar as origens do Jap\u00e3o para a posteridade, e foi escrito \u201cna pura l\u00edngua de Yamato, mas transcrito em caracteres chineses.\u201d (FR\u00c9D\u00c9RIC, 2008, p. 682). O que isso significa? Que o <em>Kojiki<\/em> foi escrito em l\u00edngua japonesa falada \u2014 Yamato sendo a forma antiga de se referir ao arquip\u00e9lago \u2014 registrada a partir da fon\u00e9tica dos caracteres chineses. J\u00e1 o <em>Nihonshoki<\/em>, do ano de 720, foi escrito em \u201cuma mistura da prosa do chin\u00eas cl\u00e1ssico com a po\u00e9tica do japon\u00eas antigo\u201d (MIYAKE, 2003, p. 28, tradu\u00e7\u00e3o minha), a fim de mostrar a \u201cpa\u00edses estrangeiros \u2014 principalmente a China \u2014 que o Jap\u00e3o foi bem sucedido em adotar a cultura daquele pa\u00eds de uma maneira minuciosa\u201d (SEELEY, 1991, p. 47, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<div id=\"attachment_17481\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17481\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-17481\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02.jpg 1024w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02-280x213.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02-768x584.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02-340x258.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02-220x167.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02-100x76.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02-130x99.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-02-460x349.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-17481\" class=\"wp-caption-text\">Uso de <em>kanji no Kojiki.<\/em> O <em>Kojiki<\/em> foi originalmente escrito usando caracteres chineses (aqui, em tamanho maior, escritos com pincel mais grosso) e um idioma que \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de japon\u00eas e chin\u00eas. Note que, em paralelo ao texto em <em>kanji<\/em>, h\u00e1 guias de leitura em <em>katakana<\/em>.<br \/>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.schoyencollection.com\/religionsLiving5.html#texts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">THE SCH\u00d8YEN COLLECTION<\/a> , OSLO. Edi\u00e7\u00e3o de 1803.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Centro e periferia s\u00e3o posi\u00e7\u00f5es que mudam com o tempo, e, nesse momento, o centro do mundo em que o Jap\u00e3o tinha acesso era o que hoje conhecemos como China. Mas o que essas rela\u00e7\u00f5es t\u00eam a ver com tradu\u00e7\u00e3o? Como foi comentado, as l\u00ednguas dos dois locais desde sempre foram muito distintas, ent\u00e3o o movimento de apropria\u00e7\u00e3o dos caracteres chineses desde sua base foi um processo an\u00e1logo \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o. Por assim dizer, a alta classe japonesa, sem ter uma forma de registrar sua hist\u00f3ria e estrutura a n\u00e3o ser por via oral, aprendeu, de acordo com os relatos do <em>Kojiki<\/em> e do <em>Nihonshoki<\/em>, com um erudito vindo de Baekje (um dos antigos Tr\u00eas Reinos da Coreia, junto de Silla e Goguryeo), que trouxe o confucionismo e os caracteres chineses ao Jap\u00e3o, e teve que adaptar seu idioma, at\u00e9 ent\u00e3o exclusivamente oral, para a escrita. \u00c9 algo dif\u00edcil de imaginar quando se vive em uma sociedade cuja presen\u00e7a da escrita \u00e9 t\u00e3o presente e antiga como a nossa. Mas nesse que podemos chamar, grosso modo, de um primeiro momento da escrita japonesa, os registros liter\u00e1rios foram feitos de formas diversas e experimentais, e s\u00e3o t\u00e3o distantes do que hoje \u00e9 a l\u00edngua japonesa escrita, que para a maioria das pessoas s\u00f3 \u00e9 acess\u00edvel atrav\u00e9s de tradu\u00e7\u00f5es para japon\u00eas moderno (um dos casos de tradu\u00e7\u00e3o intralingual que comentei anteriormente). Como traz o te\u00f3rico japon\u00eas Kat\u014d Sh\u016bichi, antes da elabora\u00e7\u00e3o dos silab\u00e1rios <em>kana<\/em>, a escrita japonesa era realizada pela utiliza\u00e7\u00e3o dos <em>man\u2019y\u014dgana<\/em>, ou por uma <em>tradu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua chinesa, utilizada de<\/em> <em>forma japonesa<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px\">Al\u00e9m de usar os caracteres chineses para escrever na sua pr\u00f3pria l\u00edngua, o japon\u00eas tamb\u00e9m elaborou um m\u00e9todo de leitura de prosa e poesia chinesa usando marcas de leitura a fim de indicar como reorganizar senten\u00e7as de modo que a ordem das palavras ficasse mais pr\u00f3xima ao japon\u00eas e fornecer coment\u00e1rios sobre inflex\u00f5es (japonesas) e termina\u00e7\u00f5es de palavras. Esses m\u00e9todos de \u2018traduzir\u2019 a l\u00edngua chinesa tamb\u00e9m foram usados na poesia e prosa japonesa. Como consequ\u00eancia, <strong>do s\u00e9culo VII ao s\u00e9culo IX, a literatura japonesa era escrita em duas l\u00ednguas, a japonesa e a chinesa (ou ao menos uma vers\u00e3o japonesa do chin\u00eas)<\/strong>. (KATO, 1997, p. 13, tradu\u00e7\u00e3o e grifo meus)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses exemplos de diferentes formas de escrita permanecem n\u00e3o s\u00f3 na prosa, como os casos anteriores, mas tamb\u00e9m na poesia, a exemplo da primeira antologia de poesia japonesa, o <em>Man\u2019y\u014dsh\u016b<\/em>, compilada tamb\u00e9m no s\u00e9culo VIII. N\u00e3o s\u00f3 na escrita, que tamb\u00e9m difere por utilizar n\u00e3o somente dialetos centrais da corte, o <em>Man\u2019y\u014dsh\u016b <\/em>possui um valor tradut\u00f3rio muito grande, como traz o te\u00f3rico estadunidense Donald Keene (1987):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px\">Os japoneses come\u00e7aram a traduzir praticamente assim que passaram a registrar a sua l\u00edngua com os caracteres emprestados da China. A influ\u00eancia da literatura chinesa \u00e9 vis\u00edvel n\u00e3o somente em tradu\u00e7\u00f5es declaradas, mas em in\u00fameros temas e express\u00f5es que derivaram diretamente de exemplos chineses. <strong>Os poemas em louvor ao saqu\u00ea na antologia <em>Man\u2019y\u00f4sh\u00fb<\/em> do s\u00e9culo VIII s\u00e3o \u201ctradu\u00e7\u00f5es\u201d de sentimentos chineses familiares, embora n\u00e3o de obras chinesas espec\u00edficas<\/strong>. Met\u00e1foras e analogias, primeiramente traduzidas e estranhas, foram rapidamente naturalizadas, e empr\u00e9stimos de novas formas po\u00e9ticas chinesas inspiraram os japoneses ao longo dos s\u00e9culos. (KEENE, 1987, p. 55, tradu\u00e7\u00e3o e grifo meus)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_17483\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17483\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-17483\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03.jpg 949w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03-280x222.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03-768x608.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03-340x269.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03-220x174.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03-100x79.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03-130x103.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-03-460x364.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-17483\" class=\"wp-caption-text\">Uso de man\u2019y\u014dgana no Man\u2019y\u014dsh\u00fb.<br \/>Uma p\u00e1gina do Man\u2019y\u014dsh\u016b (\u201cColet\u00e2nea da Mir\u00edade de Folhas\u201d), usando caracteres chineses (aqui, em tinta preta, de tamanho maior) como fonogramas para escrever versos em japon\u00eas. Note que, em paralelo ao texto em kanji, h\u00e1 guias de leitura em katakana (caracteres menores, tamb\u00e9m em tinta preta).<br \/>Fonte: Cole\u00e7\u00e3o Digital da <a href=\"https:\/\/dl.ndl.go.jp\/info:ndljp\/pid\/2544283\/2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">National Diet Library<\/a> , Japan.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o alguns exemplos que, al\u00e9m de pertencerem ao c\u00e2none da literatura cl\u00e1ssica japonesa, demonstram tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es do Jap\u00e3o para com o continente, e o quanto quest\u00f5es pol\u00edticas e trocas culturais caminham lado a lado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>SEGUNDO MOMENTO: UM NOVO PASSO PARA A ESCRITA JAPONESA<\/strong><\/h3>\n<p>Dando um breve salto, no s\u00e9culo IX temos o surgimento dos silab\u00e1rios, presentes at\u00e9 hoje na escrita japonesa: o <em>hiragana <\/em>e o <em>katakana<\/em>. S\u00edmbolos que, diferente dos caracteres chineses, que est\u00e3o na casa dos milhares, se reduzem a poucas dezenas (atualmente com 48 s\u00edmbolos base em cada um, representando os mesmos sons). Em virtude do n\u00famero reduzido, e do menor tempo de estudo necess\u00e1rio para aprend\u00ea-los, mais pessoas puderam ter acesso \u00e0 escrita. Ainda estamos longe de chegar em um momento de letramento da popula\u00e7\u00e3o, mas com os <em>kana<\/em>, as mulheres da nobreza puderam, ent\u00e3o, come\u00e7ar a ler e a escrever. E com isso, temos uma das obras mais aclamadas da literatura mundial: o <em>Genji Monogatari<\/em>, escrito em <em>hiragana<\/em> pela dama Murasaki Shikibu no princ\u00edpio do s\u00e9culo XI. A obra, ainda sem tradu\u00e7\u00e3o completa para o portugu\u00eas brasileiro, \u00e9 tida por muitos te\u00f3ricos como o primeiro romance da humanidade. \u00c9 tamb\u00e9m uma obra amplamente traduzida para japon\u00eas moderno, e conhecida e estudada at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_17485\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17485\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-17485\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04.jpg 1379w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04-280x164.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04-768x449.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04-340x199.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04-220x129.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04-100x59.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04-130x76.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-04-460x269.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-17485\" class=\"wp-caption-text\">Uso de hiragana no Genji Monotagari.<br \/>O texto, escrito por uma mulher para o p\u00fablico feminino, foi escrito utilizando hiragana, tendo em vista que as mulheres da corte n\u00e3o podiam aprender a ler e escrever em kanji.<br \/>Fonte: Cole\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/dl.ndl.go.jp\/info:ndljp\/pid\/2585098?tocOpened=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Digital da National Diet Library<\/a>, Japan. Edi\u00e7\u00e3o de 1600.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dito isso, os <em>kanji<\/em> n\u00e3o deixaram de ser utilizados, se mantendo ainda por muito tempo como a l\u00edngua de escrita oficial da corte, e sua utiliza\u00e7\u00e3o por mulheres permanecia proibida. Contudo, com o passar do tempo, ambos come\u00e7aram a ser utilizados juntos, com os <em>kana<\/em> sendo utilizados para flex\u00f5es e part\u00edculas gramaticais inexistentes na l\u00edngua chinesa, de forma a se aproximar mais da l\u00edngua japonesa. Nas compila\u00e7\u00f5es, antologias, di\u00e1rios e narrativas da \u00e9poca, as misturas seguiram surgindo, pois ainda n\u00e3o havia uma padroniza\u00e7\u00e3o do registro escrito: havia aqueles que escreviam completamente em <em>kanji<\/em>, outros em <em>kana<\/em>, alguns com misturas dos dois sistemas. Temos, por exemplo, o <em>Konjaku Monogatari<\/em>, uma colet\u00e2nea de contos chineses, indianos e japoneses compilados no in\u00edcio do s\u00e9culo XII, e escrita com uma mistura de <em>kanji<\/em> com <em>katakana<\/em>. Pelo uso dos <em>kanji<\/em> na escrita da obra, atribui-se sua autoria a um homem, apesar de n\u00e3o haver certeza.<\/p>\n<p>Nessas conversas, percebemos que a escrita das obras se conecta com t\u00f3picos de cunho social, art\u00edstico e tradut\u00f3rio. Os escritores da \u00e9poca, assim como os monges, tinham uma forma\u00e7\u00e3o em grande parte a partir da leitura de obras chinesas \u2014 logo, n\u00e3o h\u00e1 como negar a import\u00e2ncia que a tradu\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo o aprendizado de chin\u00eas para ter acesso aos escritos, possu\u00eda na forma\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o japonesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>INTERL\u00daDIO: UM BREVE CONTATO COM O OCIDENTE<\/strong><\/h3>\n<p>Brevemente, tamb\u00e9m vale a pena citar o per\u00edodo das Grandes Navega\u00e7\u00f5es, e ressaltar um ponto que foge a muitos. No s\u00e9culo XVI, portugueses, espanh\u00f3is, ingleses e holandeses chegaram ao Jap\u00e3o e iniciaram diversas trocas comerciais, e inclusive lingu\u00edsticas. Aqueles advindos da pen\u00ednsula ib\u00e9rica, assim como ocorreu na Am\u00e9rica Latina, buscaram converter a popula\u00e7\u00e3o do arquip\u00e9lago ao cristianismo. Em pouco mais de 30 anos desde a chegada da Companhia de Jesus, estima-se que 150 mil japoneses fossem adeptos do cristianismo e que houvesse cerca de 200 igrejas constru\u00eddas. J\u00e1 em 1602, quase sessenta anos desde a chegada dos portugueses ao pa\u00eds, o n\u00famero de convertidos no pa\u00eds era pr\u00f3ximo de um milh\u00e3o (SAKURAI, 2013, p. 107). Nesse per\u00edodo, trocas ocorreram, e tentativas de tradu\u00e7\u00e3o da b\u00edblia foram realizadas. E esse contato explica a presen\u00e7a na literatura japonesa de textos cujo tema seja o cristianismo, como \u00e9 o caso do conto <em>O M\u00e1rtir<\/em> (1918), de Akutagawa Ry\u016bnosuke (1892\u20131927). Contudo, por quest\u00f5es pol\u00edticas e religiosas, o cristianismo foi proibido no s\u00e9culo XVII, os crist\u00e3os ca\u00e7ados e mortos, e o Jap\u00e3o se fechou para o mundo ocidental, mantendo contato apenas com os holandeses, cujos interesses eram exclusivamente mercantis. E assim, o Jap\u00e3o permanece sem saber o que ocorre no mundo por mais de dois s\u00e9culos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_17487\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17487\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-17487\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05.jpg 1336w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05-280x119.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05-768x327.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05-340x145.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05-220x94.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05-100x43.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05-130x55.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-05-460x196.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-17487\" class=\"wp-caption-text\">Biombo de Kan\u014d Naizen (1570\u20131616) representando a chegada de portugueses e espanh\u00f3is no s\u00e9culo XVI.<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Nanban-Screens-by-Kano-Naizen-c1600.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">WIKIMEDIA COMMON<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>TERCEIRO MOMENTO: A REABERTURA E A MODERNIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h3>\n<p>Mas ent\u00e3o, quando a escrita japonesa passa pelas mudan\u00e7as que levaram a chegar ao que ela \u00e9 hoje? Esse momento \u00e9 outro de grandes reviravoltas tradut\u00f3rias, sociais e pol\u00edticas: o per\u00edodo Meiji. O per\u00edodo Meiji tem por in\u00edcio o ano de 1868 e termina com a morte do imperador Meiji em 1912. Nesse per\u00edodo, o Jap\u00e3o volta a ter contato com o ocidente ap\u00f3s mais de dois s\u00e9culos, com o fim de um sistema conhecido como <em>sakoku<\/em> (\u9396\u56fd). Com isso, o Jap\u00e3o recebe muitas informa\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo. \u00c9 s\u00f3 pararmos para pensar no que havia ocorrido entre o s\u00e9culo XVII e XIX: a revolu\u00e7\u00e3o francesa, o advento da eletricidade, a revolu\u00e7\u00e3o industrial, al\u00e9m dos avan\u00e7os em diversas \u00e1reas cient\u00edficas, para citar uma pequena quantidade de acontecimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_17488\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17488\" class=\"img-responsive img-fluid wp-image-17488\" src=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06.jpg 1379w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06-280x140.jpg 280w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06-768x385.jpg 768w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06-340x170.jpg 340w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06-220x110.jpg 220w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06-100x50.jpg 100w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06-130x65.jpg 130w, https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/imagem-06-460x231.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-17488\" class=\"wp-caption-text\">Ukiyoe de Toyohara Chikanobu (1838\u20131912), representando um baile no Rokumeikan (1888).<br \/>Note a presen\u00e7a de vestimentas e arquitetura ocidental poucas d\u00e9cadas ap\u00f3s a reabertura do pa\u00eds. Fonte: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Chikamatsu_Kiken_buto_no_ryakuke.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">WIKIMEDIA COMMON.<\/a><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a onda de novidades, a tradu\u00e7\u00e3o tem novamente um papel de extrema import\u00e2ncia. A tradu\u00e7\u00e3o de obras liter\u00e1rias e de \u00e1reas como medicina, filosofia e direito trouxe mudan\u00e7as e abriu debates at\u00e9 ent\u00e3o inexistentes; novos movimentos liter\u00e1rios surgiram; houve a cria\u00e7\u00e3o de um minist\u00e9rio da educa\u00e7\u00e3o, e o ensino passou a ser compuls\u00f3rio a todos; quest\u00f5es acerca de direitos humanos passaram a ser levantadas.<\/p>\n<p>Dentre as obras liter\u00e1rias traduzidas na \u00e9poca, a primeira teria sido <em>Robinson Crusoe<\/em>, do escritor ingl\u00eas Daniel Defoe, com uma tradu\u00e7\u00e3o indireta feita da edi\u00e7\u00e3o holandesa (que ainda no in\u00edcio do per\u00edodo possu\u00eda uma posi\u00e7\u00e3o de prest\u00edgio, sendo substitu\u00edda pelo ingl\u00eas nas d\u00e9cadas seguintes), que foi realizada em 1859, por\u00e9m s\u00f3 passou a circular com a reabertura do pa\u00eds. Obras como <em>Self-Help<\/em>, de Samuel Smiles, e <em>A Liberdade<\/em>, do fil\u00f3sofo John Stuart Mill, foram traduzidas com um car\u00e1ter mais did\u00e1tico do que liter\u00e1rio, trazendo quest\u00f5es \u00e9ticas e filos\u00f3ficas, fazendo grande sucesso devido \u00e0 necessidade do conte\u00fado das obras para uma sociedade em transi\u00e7\u00e3o. Isso porque o japon\u00eas da era Edo (1603\u20131868), que vivia em um sistema feudal, sem direitos e governado por um governo militar, precisava compreender as possibilidades da modernidade e possu\u00eda uma curiosidade muito grande sobre como era o resto do mundo.<\/p>\n<p>Com essas primeiras tradu\u00e7\u00f5es, o in\u00edcio de um pensar tradut\u00f3rio mais met\u00f3dico come\u00e7ou a surgir. Por\u00e9m, ainda n\u00e3o havia nada semelhante a um mercado editorial, e o que se traduzia era muito mais escolha daqueles que tinham conhecimento lingu\u00edstico para traduzir. Esses muitas vezes amputavam o texto original e mudavam radicalmente partes do enredo ou de personagens, para servir ao prop\u00f3sito de educar o povo sobre determinado tema, como \u00e9 o caso da tradu\u00e7\u00e3o de <em>Mem\u00f3rias de um M\u00e9dico<\/em>, do franc\u00eas Alexandre Dumas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px\">A obra de Dumas descreve um charlat\u00e3o chamado Cagliostro e suas in\u00fameras perip\u00e9cias desagrad\u00e1veis; Sakurada transformou esse personagem obscuro na encarna\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios de liberdade e direitos populares, no grito de guerra do partido do qual era filiado. (KEENE, 1984, p. 64, tradu\u00e7\u00e3o minha)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somente com o tempo que se passou a exigir mais das tradu\u00e7\u00f5es e dos tradutores, com um aumento do interesse pela literatura estrangeira, o que culminou na cria\u00e7\u00e3o de um mercado liter\u00e1rio at\u00e9 ent\u00e3o inexistente. No per\u00edodo Meiji, a literatura traduzida constituiu grande parte da literatura circulante, fato que apoia a ideia de Even-Zohar, de que uma literatura perif\u00e9rica se ampara e se utiliza muito da literatura traduzida.<\/p>\n<p>Em meio a tudo isso, a quantidade de termos que adentraram a l\u00edngua japonesa \u00e9 dif\u00edcil de contabilizar, e foi nessa \u00e9poca que palavras de origem estrangeira passaram a ser cunhadas em <em>katakana<\/em>, pr\u00e1tica comum at\u00e9 hoje. Termos important\u00edssimos e muito presentes hoje na l\u00edngua, como <em>shakai<\/em> (\u793e\u4f1a, sociedade), <em>kojin <\/em>(\u500b\u4eba, indiv\u00edduo), <em>jiy\u016b <\/em>(\u81ea\u7531, liberdade) e <em>kenri<\/em> (\u6a29\u5229, direitos) s\u00e3o algumas das palavras que passaram a existir na realidade japonesa devido \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 necessidade de mudan\u00e7as na sociedade feudal que imperava at\u00e9 ent\u00e3o. O processo de cristaliza\u00e7\u00e3o dessas e outras palavras \u00e9 tratado na obra \u7ffb\u8a33\u8a9e\u6210\u7acb\u4e8b\u60c5 (<em>hon\u2019yakugo seiritsu jij\u014d<\/em>, condi\u00e7\u00f5es para o surgimento de uma l\u00edngua tradut\u00f3ria, 1982), do te\u00f3rico Yanabu Akira (1928\u20132018).<\/p>\n<p>Ao final do s\u00e9culo XIX, a literatura europeia era conhecida por grande parte da popula\u00e7\u00e3o, e diversos escritores da \u00e9poca estudaram l\u00ednguas estrangeiras, foram \u00e0 Europa ou demonstravam em suas obras tra\u00e7os da mesma. Havia escritores que inclusive diziam se sentir mais pr\u00f3ximos de autores traduzidos como Tolst\u00f3i, Dostoi\u00e9vski e Stendhal, do que de escritores japoneses tradicionais (KEENE, 1987, p. 71), pois esses n\u00e3o mais representavam as suas viv\u00eancias em um per\u00edodo de moderniza\u00e7\u00e3o, presos a tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o mais presentes no cotidiano e na vida das pessoas. Assim sendo, a literatura traduzida ocupou um lugar importante, e a pr\u00e1tica da tradu\u00e7\u00e3o dentro do que se entende por tradu\u00e7\u00e3o interlingual passou a se consolidar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_tradicao_japones_1_comeco\/\">&lt;&lt; 1. Para come\u00e7o de conversa&#8230;<\/a>\u00a0\/\/ <\/strong><strong><a href=\"https:\/\/fjsp.org.br\/fjsp\/dossie_tradicao_japones_3_escrita_japonesa_atualmente\/\">3. A escrita japonesa atualmente &gt;&gt;\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea Liter\u00e1rio &gt; Dossi\u00ea &#8211; A tradu\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o japonesa\u00a0&gt; 2. A hist\u00f3ria da escrita japonesa \u00e9 uma hist\u00f3ria de tradu\u00e7\u00e3o &nbsp; Se o Jap\u00e3o \u00e9 uma periferia liter\u00e1ria, logo, a tradu\u00e7\u00e3o deve ocupar um papel de grande import\u00e2ncia na hist\u00f3ria da literatura do pa\u00eds. Mas como averiguar isso? 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