Fundação Japão promove, o projeto Japão em uma foto, na página do Instagram

 

 

Registros de fotógrafos japoneses trarão imagens acompanhadas de informações sobre o Monte Fuji e Fogos de Artifício, sempre às segundas e sextas-feiras

 

A Fundação Japão em São Paulo promove, a partir de 22 de fevereiro, o projeto Japão em uma foto. Semanalmente, às segundas e sextas-feiras, serão apresentados trabalhos de fotógrafos japoneses, com diferentes temas.

Todas as fotos são altamente recomendadas e apresentaremos também o comentário do fotógrafo sobre o ponto principal da foto.

Para quem tiver mais interesse, não deixe de ver também nesta página os textos descritivos que publicaremos sobre cada tema (reunindo pensamentos dos japoneses e aspectos históricos).

 

O projeto está disponível no Instagram da Fundação Japão.

 

A primeira fase do projeto trará os temas Monte Fuji (segundas-feiras) e Fogos de Artifício (sextas-feiras).

 

 

Monte Fuji 

 

O monte Fuji e uma alameda de cerejeiras – Foto: Hiroyuki Hatano

 

Duas grandes empresas aéreas do Japão informam nos seus sites em qual lado da aeronave pode-se se avistar o Monte Fuji nos voos que passam sobre a montanha.

Será que só eu me sinto prejudicado após ter o trabalho de verificar isso antes de embarcar e então, por causa da chuva, não conseguir avistar o Monte Fuji?

Já há 1300 anos, no Período Nara, o poeta Akahito Yamabe escreveu sobre a beleza de ver a partir do mar o Monte Fuji ao longe, com o topo coberto pela neve:

Tagonourayu uchiidetemireba mashironi sofujinotakaneni yukiwafurikeru

E há 1000 anos, no Período Heian, o poeta Saigyou escreveu sobre o vaguear dos seus sentimentos, comparando-os à fumaça vulcânica do Monte Fuji exalada ao vento:

Kazeninabiku fujinokemurino soranikiete yukuemoshiranu wagaomoikana

Podemos dizer então que, desde a antiguidade, o Monte Fuji é um símbolo de beleza para os japoneses.

E esse pensamento não é manifestado somente por eles.

Quase todos os estrangeiros convidados pela Fundação Japão para visitarem o país expressam sua admiração pelo Monte Fuji.

Pela natureza de suas profissões, os professores de língua japonesa, pesquisadores de estudos japoneses e artistas possuem profundo conhecimento sobre a cultura japonesa e direcionam seus pensamentos à literatura e à pintura relacionadas ao Monte Fuji.

Contudo, primeiramente, gostaria que apreciassem a beleza do Monte Fuji propriamente dito, como uma paisagem.

 

Em 1870, Willian Griffis — educador americano contratado como instrutor no Japão — registrou suas impressões sobre o Monte Fuji quando chegou de navio ao porto de Yokohama, vindo dos Estados Unidos:

“É tão perfeito, uma vista inesquecível! É uma obra-prima da natureza que apenas em um dia me faz sentir intensamente a glória e a vida. Para me fazer escrever estas linhas, talvez não haja outra vista tão apropriada do Monte Fuji quanto esta, a partir de um navio a vapor se aproximando da costa. Sua imensa figura vai aos poucos sendo iluminada pelos raios do sol, e em pouco tempo a terra do sol nascente exibe suas formas em meio à gloriosa luz dourada.”

 

Oramos para que a pandemia termine o quanto antes, e para que muitas pessoas possam visitar o Japão e se encantar com a beleza do Monte Fuji.

 

 

Hanabi (Fogos de Artifício)

 

Festival de Hanabi do Hipódromo de Tóquio – Foto: Hiroyuki Hatano

 

Todos os anos, na Avenida Paulista, em São Paulo, há o lançamento de fogos de artifício simultaneamente com a chegada do ano novo.

Ouvi dizer que em 2021 o evento tinha sido cancelado, como medida de prevenção contra o novo coronavírus. Porém, consegui ver fogos de artifício da varanda do apartamento para além dos prédios.

Nos últimos anos, é possível ver fogos de artifício em muitos países com o mesmo nível de qualidade do Japão.

Eles são um elemento indispensável nos shows de parques temáticos como os da Disney e outros.

Dizem que, em quase todos os casos, a tecnologia foi exportada pelo Japão.

 

No passado, mesmo no Japão, a forma de hanabi mais difundida era apenas produzir o som, ou então lançar os fogos bem alto.

Do Período Edo em diante, diversas inovações foram feitas.

Em anos recentes, dispositivos complexos de fogos de artifício controlados por computador tornaram-se dominantes.

 

A Fundação Japão tem apresentado a prática do hanabi por meio do envio de mestres de fogos de artifício para muitos países.

Em 1988, realizou um evento de hanabi também em São Paulo.

Disseram-me que, naquela ocasião, um grande público se dirigiu ao local do evento e as vizinhanças ficaram terrivelmente congestionadas. O então diretor da Fundação Japão em São Paulo não conseguiu chegar ao local e acabou assistindo ao show preso no congestionamento.

 

Em 2012, exibimos em muitos países o documentário “Light-up Nippon”, sobre um projeto comemorativo de revitalização após o Grande Terremoto do Nordeste do Japão, ocorrido em 2011.

(https://www.jpf.go.jp/j/project/culture/archive/fukkou/lightup-nippon/)

 

O documentário mostra o projeto de realização de um hanabi em memória das vítimas do desastre. O plano foi idealizado por um jovem e recebeu ampla adesão. O hanabi foi realizado simultaneamente em diversas áreas atingidas pela calamidade, 5 meses após o grande terremoto de 2011.

 

Os festivais de fogos de artifício realizados em todo o Japão começam no verão e se estendem pelo outono até o inverno.

Mesmo hoje em dia, os festivais são mais numerosos no verão e servem de entretenimento para muitas pessoas.

Originariamente, o hanabi tem o significado de apaziguar os espíritos dos mortos. Uma vez ao ano, no auge do verão japonês — em meados de agosto (ou julho, dependendo do lugar) —, os espíritos dos mortos retornam do além. Os vivos acendem o fogo na entrada de casa e recebem os espíritos. Três dias depois, acendem o fogo novamente para enviá-los de volta ao outro mundo.

O hanabi é o fogo que acompanha os espíritos rumo ao além. É, ao mesmo tempo, um fogo de alegria e de tristeza.

 

Quando se fala em hanabi, a estação do ano correspondente é o verão. Os festivais de fogos após o verão são conhecidos como toohanabi e são associados ao outono.

Nesta época, pode-se ouvir o som fraco de explosões em algum lugar distante. Ao abrir a janela e procurar no céu, pode-se ver o brilho dos fogos cintilando ao longe. É completamente distinto do estrondo potente do hanabi que vemos de perto. Sem nos darmos conta, a estação muda para o outono e notamos que o vento ficou mais fresco.

O Toohanabi, mesmo sendo um hanabi, tem um profundo sabor de outono.