RYUTA IMAFUKU

Crítico cultural e professor de Antropologia e Estudos Culturais da Graduate School of Global Studies da Tokyo University of Foreign Studies. É um importante pensador do Japão contemporâneo, que continua a estimular o pensamento por meio da reflexão antropológico-cultural sobre literatura, arte, fotografia, futebol, etc.  Desde 2002, tem coordenado o projeto Amami Free University, uma universidade espontânea ao ar livre no arquipélago de Amami, Japão. Com passagens pelo Brasil como professor visitante do Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo (2000), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003) e Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo (2008), tem contribuído constantemente para o desenvolvimento dos Estudos Japoneses no Brasil, e para a difusão de estudos sobre o Brasil no exterior.

Sua bibliografia inclui: The Heterology of Culture (A Heterologia da Cultura), Technology of the Wild (Tecnologia do Selvagem), Sensory Angels (Anjos Sensoriais), Mínima Gracia: History and Craving, Archipel-Monde (Anjos Sensoriais, Mínima Gracia: História e Desejo, Archipel-Monde), La Gramática Parda (A Gramática Parda), Homo Ludens in Brazil (Homo Ludens no Brasil), Half-Breed (Half-Breed), e mais recentemente, Jorge Luis Borges: A Dreaming Tiger in the Labyrinth (Jorge Luis Borges: Um Tigre Sonhador no Labirinto).

 

ARTIGOS EM PORTUGUÊS 

IMAGINANDO NO MUNDO PLURAL: COSMOPOLISMO E DIÁSPORA HOJE

Anais do XI Encontro Nacional de Professores Universitários de Língua, Literatura e Cultura Japonesa, Sessão Especial. Brasil, 500 Anos e Imigração Japonesa. Universidade de Brasília, 2000. p. 393-410. Tradução de Alice Tamie Joko.

“A ideia de ‘apátrida’ nos remete a casos extremamente excepcionais de indivíduos que não podem obter nenhuma nacionalidade – algo que deveria ser concedido a todo homem por pelo menos um país -, por falha no sistema legislativo interno ou negligência nos procedimentos legais de um país. Tal situação, mesmo sendo resultante de sistema estatal, é entendida em geral como uma questão que deve ser corrigida por se considerar o fato de não estar sob proteção de um Estado, um índice que determina a insegurança social da pessoa em que se vê em tal condição. Pois o ser humano não vinculado a nenhuma nação, antes de mais nada, perde seu lugar de existência no espaço social do mundo contemporâneo.”

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Abismo entre o Tudo e o Nada- A Etnologia de Okamoto Taro

Estudos Japoneses, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo, n. 21, 2001. p. 91-99. Artigo baseado em palestra proferida no Centro de Estudos Japoneses da USP, em 23 de agosto de 2000.

“É simplesmente avassaladora a presença de Okamoto Tarô no filme de 14 minutos, em 16 mm, intitulado Homenagem a Marcel Mauus: Okamoto Taro, dirigido por Jean Rouch, conhecido por seus trabalhos de vanguarda na França, no campo da antropologia visual. Foi muito forte o impacto que me causou a fala de Okamoto – e aqui vou designar por fala, um termo do linguajar cotidiano, todo o conjunto de sua impressionante forma de expressão – que se manteve inalterável do princípio ao fim.”

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A OCUPAÇÃO VISUAL NAS ILHAS: IMAGEM E VIOLÊNCIA NO JAPÃO PÓS-GUERRA

Palestra ministrada no Seminário internacional “Imagem e Violência” SESC-São Paulo, 30 de março, 2000. Tradução de Lenita Rimoli Esteves.

“Vou falar sobre imagem e violência no Japão do pós-guerra, mas meu modo de falar não é como falar “sobre” alguma coisa, é mais como um modo de falar “próximo” de alguma coisa. O objeto de discussão aqui é sempre ambíguo e multifacetado, de modo que qualquer gesto para fixá-lo trai nosso senso de realidade. Em vez de falar exatamente “sobre” isso, estarei falando “próximo” do tempo e do lugar chamado Japão do pós-guerra, porque esse é precisamente o modo como vivenciei esse período de minha vida. Portanto, estarei falando sobre memória e não sobre conhecimento. Sobre a instalação de sentimentos, não sobre a distribuição de informação… Um salto poético, não uma interpretação objetiva.”

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OS ANJOS NA TERRA DOS SONHOS

Ghrebh – Revista de Comunicação, Cultura e Teoria da Mídia, CISC (Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia. São Paulo, outubro 2002, n. 1. p. 242-248. Traduzido do espanhol por Marina Quevedo.

“Desde o momento em que percebemos e compreendemos nossa mão como aquele material que consiste em cinco dedos oculta‐se uma ocasião transcendental do conhecimento, aquela que separa os homens de sua natureza puramente material. Este salto se executa por meio da linguagem que usamos. Por exemplo, não levamos em conta o nível prioritário da linguagem e nos baseamos excluvivamente nos substantivos. Na realidade, os substantivos parecem apontar diretamente a matéria, apesar de que não constituem a materialidade em si mesmos. Através da linguagem, que é dominada pelos substantivos, criamos um método de comunicação para capturar a materialidade da realidade.”

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A SINFONIA DOS CACTOS E DO VENTO

Ghrebh – Revista de Comunicação, Cultura e Teoria da Mídia, CISC (Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia. São Paulo, julho 2003, n. 3. p. 4-14.

“Fazer um comentário” sobre o álbum do Calexico seria um modo muito distante da maneira que a própria música do Calexico se apresenta. Se a música do Calexico tem um caráter bem improvisador, seriam necessários ritmo e vibrações de palavras que consoassem com a sua música. Então, aqui o meu propósito é de escrever Calexicamente, ou seja, tento narrar sobre a música, o instrumento, o estilo de sensibilidade, Arizona e a fronteira de um modo incidental, anedótico, fragmentado, eclético e minimalista.

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O Deserto entre os Olhos: para não testemunhar Abu Ghraib

Mínima Gracia. Tóquio: Iwanami Publishers, 2005.

“Aquilo que é visto, e o que não é visto – todas as imagens ali se sedimentam. A paisagem da realidade, da ilusão, da memória e do pressentimento ali se mesclando, aparece e desaparece.
Guardando em si as mais variadas sementes que dão luz a todos os elementos do universo, o lugar secreto onde o sentimento e a percepção ainda sem sentido fosforesce. A reentrância rica e ambígua do consciente. Isso, que se expande entre os nossos olhos, é o deserto infinito que concebe uma fonte…”

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Paz da terra, paz de imagem: Sebastião Salgado, Wim Wenders, e o “contrato natural”

Sekai. Tóquio, 2005, n. 873.

“No Interior do Brasil. Nós nos trememos, quando vimos a multidão movendo como as formigas que rastejam na ladeira inclinada da mina a céu aberto de ouro na Serra Pelada. Uma cova enorme como uma ferida gravada na terra pela cobiça à riqueza. Aí, mais de cinquenta mil trabalhadores sujados com lama se agrupam e enlouquecem para descobrir ouros mais cedo do que os outros, empurrando mutuamente. O suor fluído do corpo semi-nu, o sangue manchado no ombro que carrega um saco de areia, os gritos ou barulhos da disputa, os suspiros de desespero, o mal cheiro sufocante da lama deslizando de baixo dos pés… Estas fotos contemplam profundamente, com o olhar agudo, os detalhes dos fatos reais, as deformadas estruturas sociais que são escondidas atrás dessa realidade.”

DISPONÍVEL PARA CONSULTA NA BIBLIOTECA

 

Palestra
Ryuta Imafuku: ‘mídia valoriza mais a versão que o fato

Entrevista ao Diário da Região. São José do Rio Preto, 20 de abril de 2003.

“Com ideias polêmicas sobre o trabalho desenvolvido pelos meios de comunicação, o professor da Faculdade de Estudos Culturais da Universidade de Sapporo, no Japão, Ryuta Imafuku, 47 anos, se dedica ao estudo do impacto que as chamadas ‘transmissões em tempo real’ têm no cotidiano das pessoas. A veiculação de fatos como a queda das torres gêmeas do World Trade Center, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, ou os confrontos da Guerra do Golfo, em 1991, estão entre as pesquisas de Imafuku. Nas últimas semanas, o professor também acompanhou o conflito no Iraque. Segundo ele, com a guerra no Oriente Médio, a tevê volta a ‘bombardear’ diariamente o telespectador com informações.”

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