Criarte – criatividade, arte e encanto

A Fundação Japão em São Paulo apresenta um novo conteúdo em sua programação.

Trata-se de Criarte – criatividade, arte e encanto, uma série de vídeos, que apresenta o trabalho de artistas, com destaque para a criatividade e beleza encontradas nos variados aspectos da cultura japonesa atual.

Justamente quando passamos mais tempo em casa, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, convidamos artistas que exploram materiais próximos e do cotidiano de qualquer pessoa (como borracha, adesivo, caneta, etc), a apresentarem suas respectivas artes, instigando curiosidade e reflexão sobre a criatividade.

O conteúdo não é exclusivo para artistas, criadores, designers ou artesãos – a linguagem simples e conteúdo explicativo são direcionadas a todas as pessoas que desejem aguçar a curiosidade e a criatividade. Os vídeos, em japonês, serão apresentados com legendas em português e espanhol.

Em linhas gerais, cada artista conta a sua própria história, mostra o seu processo criativo, além de compartilhar dicas de criações. Alguns artistas incluem uma mini-oficina, para que o público também experimente o processo criativo.

No primeiro episódio, apresentamos uma participação especial, o artista Haruo Mitsuta e suas obras articuladas. Este conteúdo foi produzido originalmente como um extra do programa Jounetsu Tairiku, exibido em 19 de julho de 2020 na TV japonesa.

 

 

Haruo Mitsuta

Nasceu na Província de Tottori, em 1980, mas cresceu na Província de Chiba. Desde criança, aprecia o campo e é apaixonado por insetos. Jovem habilidoso, dobrava origami de tsuru com papel quadrado de 5 mm.

Na quarta tentativa, ingressou na Universidade de Artes de Tóquio e, durante as aulas, conheceu Muneyuki Tomiki, um artesão de peças articuladas (Jizai okimono). Emocionou-se ao constatar que a técnica, que julgava ser do passado, permanecia viva até a atualidade. No mesmo dia, candidatou-se à aprendiz do artesão.

São mais de 150 os tipos de criaturas produzidos por Mitsuta até o momento.

Recebeu os prêmios Zennippon kingin sosakuten e Sozosuru dentosho.

Vive com a esposa, artista da técnica Shippo, e a filha.

Quando criança, queria ser um caranguejo eremita e, até hoje, é apaixonado por plastimodelismo e games.

 

 

E o que são os modelos articulados (Jizai okimono) de artefatos de metal?

São figuras metálicas de todos os tipos de criaturas, desde insetos, cobras e crustáceos, até dragões e outros seres fantásticos. Como se estivessem vivas, as peças têm movimento.

É conhecido que a técnica foi criada durante o período Edo, por um artesão de armadura que perdeu o emprego em tempos pacíficos e, a partir de então, foi transmitida como uma arte tradicional.

Haruo Mitsuta é o único artista que mantém viva a técnica Jizai okimono, do período Edo. Quando organiza exposições individuais, sua popularidade reúne mais de cem pessoas para participar no sorteio que dá direito a adquirir suas obras. Em abril de 2019, realizou uma mostra individual em Londres.

 

 

Confecciona desde o escaravelho-veado, um inseto popular, até a centopeia, sem distinção. É um profundo apreciador de insetos, desde os menos vistosos, a ponto de sua esposa indagar “Por quê você confeccionou isso?”.

As características que destacam Mitsuta são o olhar de observação meticulosa e a minuciosa habilidade manual. Desmembra um espécime real e, então, mede cada parte precisamente. Reproduz fielmente, em metal, até o interior da boca da libélula-de-anéis-dourados, que geralmente não conseguimos ver. As obras, que podem ser confundidas com seres reais, são conhecidas como “vidas que por acaso se originaram do metal”.

 

 

Desde a era Meiji (1868-1912), modelos articulados Jizai okimono são levados ao exterior e permanecem pouco conhecidos no Japão. Vamos, então, apreciar a técnica sublime sem igual, que têm sido transmitidas até a era Reiwa?

 

O conteúdo é uma produção da MAINICHI BROADCASTING SYSTEM, INC., em colaboração com o DOCUMENTARY JAPAN INC.

 

A arte do título do projeto foi elaborada por Mari Kanegae, com uma composição de folhas de Pata-de-vaca em vários estágios, e aplicação da técnica Kiriê em uma folha de nori (alga japonesa).